Muito mais eu

27/06/2017

Acabei este fim-de-semana um ciclo de seis workshops de aprofundamento da dança da vida, que começou em janeiro de 2016 e se espalhou por um ano e meio, com intervalos de uns meses entre cada módulo.

No último, lembrei-me do primeiro, do quão longínquo me parecia o fim.

E agora aqui estou, a mesma mas com uma noção muito maior e mais aprofundada de tudo quanto é meu.

Um desafio e tanto. Pensava ficar-me pelos três primeiros módulos, era o que me fazia sentido. Acabo a descobrir que são os últimos três que dão sentido a tudo. São os que mais nos desafiam individualmente, por serem direcionados, a partir de uma escolha de cada um.terra

Um desejo, um medo e um elemento.

E se algum dia pensar que não vou conseguir fazer determinada coisa, me sentir tolhida pelo medo, preciso de me lembrar que dancei, em alguns momentos sozinha, o que mais desejei, mais temi e mais me fez falta. Que me surpreendi e me deixei tomar por mim mesma à frente de meia centena de pessoas. Que me deixei comover pela minha lusitanidade, deixei-me cuidar e amar. Que me entreguei ao meu mais secreto desejo e enfrentei o meu maior medo. Que, quando achava que o pior já tinha passado, os medos vencidos e os desejos assumidos, dou de caras com a terra e o ímpeto de me enfiar nela, sem medo dos bichos que lá moram, com uma vontade voraz de sorver toda a vida que ela contem.

E depois de nela me misturar, talvez de me batizar, fazendo as pazes com o medo, o animal que há em mim vê finalmente a luz do dia, num urro épico que ninguém calou, castrou ou limitou. Seguido ainda de mais um ou dois, para ter a certeza de que nada dele ficou preso na sombra.

E tudo aconteceu pelo corpo, a dança, o deixar-me tomar pela música, ouvindo as orientações dos mestres e desligando o cérebro para tudo o resto, deixando vir à tona o que tinha de vir, sem pensar, conter, tentar entender. O corpo sabe antes da cabeça, percebe antes, contem todas as informações. É a cabeça que, ao querer controlar e não o escutando, aprisiona muitas vezes o que  nos é vital. A dança dança-te, em vez de tu dançares a dança.

Dancei e o mundo dançou comigo

Há elaborações que não mais preciso de fazer, quando a coisa é boa, de entender, bastando-me apenas a sensação, ficando nela, maior milagre do que este seria difícil.

Sou a mesma, mas muito mais eu. Mais desperta para o afeto, o amor, a concretização, a presença, a humanização. Mais desperta para o que importa. E o que importa é a comunhão, o sermos todos um e o mesmo, e cada um único e inclonável.

Obrigada ao meu mais querido e reconhecido mestre, que me levou mais longe do que alguma vez pude imaginar, aos meus queridos companheiros de jornada, que me conhecem agora melhor do que a minha própria família e amigos de 500 anos, não tenho palavras para descrever o quão preciosa foi a vossa acolhida, o vosso companheirismo, a vossa presença, a vossa coragem que me inspirou em tantos momentos, e aos facilitadores participantes, cujo apoio foi crucial para fazer desta jornada mágica, épica, inesquecível.

E ao Grande Mestre Rolando Toro, pela criação da dança da vida.

Artist’s Date 177/365 – Take a singing lesson

Todas as sugestões de dates têm sempre uma imagem e uma frase associadas. A do de hoje reza assim: Dance, and the world dances with you. E que às vezes são mais sugestivas do que o date em si. É o caso desta. Talvez o desafio de ir a uma aula de canto seja maior do que o de escrever sobre a frase que supostamente o ilustra. Mas é o que me apetece.

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