Narcisismo

29/11/2017

São vários os desafios que têm esta figura como sujeito. Quando fui procurar imagens ilustrativas, deparo-me com a associação a narcisismo, que era a única palavra que me ocorria para ilustrar a original, crazymaker, em inglês. narcisismo

Crazymakers care about nobody else’s schedule but their own

Sabemos que há diversos graus e que todos somos um bocadinho narcisistas, se pensarmos nas nossas necessidades em primeiro lugar (as dos filhos menores estão fora da equação). O que não é errado, pelo contrário. O exemplo dos aviões é bom, só podemos dispor-nos a ajudar quando já temos a máscara de oxigénio e o colete salva-vidas. É simples, caso contrário, só iremos atrapalhar. O que é diferente de desconsiderar por completo as necessidades do outro. Ou passar por cima delas.

Aqui, Cameron refere-se ao narcisismo patológico.

Como o que é descrito na imagem do lado. E que tem várias caras. Mas provoca o mesmo efeito.

Artist’s Date 329/365 – Decorate your pet’s dinner dish

Dependendo do modelo que conhecemos, o narcisista pode apresentar-se agressivo ou galante. Respondemos ou repudiamos o estímulo dependendo da referência emocional inconsciente que temos. E do que fizemos com ela. Se a imitamos (ou seguimos), se escolhemos o oposto.

Se o agressivo e violento é o mais óbvio e pode ser perigoso, apesar de haver uma certa cobardia associada, por poder não chegar à violência física, mas a agressão emocional estar sempre, sempre garantida, o segundo é mais ardiloso, menos óbvio. Por isso, pode levar mais tempo a receber uma guia de marcha para o diabo que o carregue. As falinhas mansas, as ensaboadelas no ego, a prosa fácil – claro, não há qualquer responsabilidade nas suas intenções – envolvem de um jeito aparentemente afetuoso que confunde com grande eficácia as suas vítimas. Que se perguntam como pode ser um escroque quem aparentemente as trata tão bem. Mas que as abandona, as usa a seu bel-prazer, as controla com promessas que sabe que não vai cumprir, as domina e as confunde o tempo todo. Levando-as a ter ataques de fúria ou de qualquer outra coisa de tão descontroladas que este tipo de manipulação absolutamente doentia e até perversa as deixa. Um narcisista nunca, nunca assume responsabilidade por nada.

Nada de bom pode vir de alguém que te confunde o tempo todo.

Mesmo considerando a hipótese de as melhores peças de literatura e de arte em geral virem do sofrimento, ambos os tipos são perniciosos e prejudiciais ao artista em nós. Porque não o alimentam, o nutrem, pelo contrário, usurpam-lhe toda a força, a energia, a criatividade que lhes resta para a sua causa: um ego desmesurado. Mesmo quando não é óbvio, claro, específico. É o estado mental da vítima deste tipo de comportamento que se torna incompatível com a disponibilidade para a criação. Porque uma das consequências deste tipo de relação para quem é vítima de manipulação, confusão, controlo, é o pensamento obsessivo. Que não deixa espaço para mais nada, esgotando assim a criatividade que pudesse subsistir.

Mudá-los não adianta. O que adiantará é descobrir o que é alimentado interna e emocionalmente por aquele tipo de personalidade. E tratar de corrigir a rota o quanto antes.

Crazymakers create storm centers, they sap your creativity.

Artist’s Date 330/365 – Make home made soup.

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