Natal

25/12/2018

Mesmo para quem é fã do espírito que nos invade em dezembro, para quem adora as luzinhas de Natal nas ruas, que inclusive haveriam de ficar até vir o calor, a ver se tornam janeiro menos deprimente. Mesmo com a histeria das crianças na noite de Natal. 

Tudo muda quando perdes alguém.

A pessoa está bem o ano inteiro. Vive a vida e feliz. Havia elaborado o luto até à exaustão, testemunhado em livro escrito num ano. Havia-se inclusive permitido viver um minotauro, um ano e dois meses depois, para se despedir, de verdade, a única coisa que tinha recusado fazer.

Até chegar dezembro… E o mês que costumava ser de mais empatia, vira um inferno de lágrimas e choro copioso, incontrolável, inalienável.

Impossível de controlar

O Natal nunca mais será o mesmo. Haverá sempre aquela tristeza que te invade, ainda que não queiras, que tentes distrair-te, disfarçar, fingir que está tudo na mesma.

Este conseguiu ser o pior de todos. Longe dos meus, chorei o dia inteiro.

A fox life transmitiu, durante todo o mês de dezembro, filmes de Natal. Todos bem fox life, ou seja, uma merda. Vi-os todos, a ver se conseguia iludir-me.

Tentativa inglória.

Entre sonhos e rabanadas, roupa velha e ferreros rocher, faltas tu. E eu nunca fui de disfarçar sentimentos…

*Foto da montagem da árvore de Natal, o teu último. A Marya aos berros, o Real na TV, os miúdos histéricos e tu a dormitar no sofá.

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