Netflix: o melhor amigo do introvertido.

06/08/2018

Nestes dias de canícula insuportável, com as mãos em chagas por causa do calor e da alergia a todo o tipo de metais, incluindo o de que é feito o meu computador, dediquei-me ao mais recente fenómeno de massas: Netflix de seu nome. netflix

Diziam-me que era bom para séries e filmes…

Se for para ajudar os argumentistas a viver, pagando-lhes direitos de autor, ’tou dentro.

Uma verdadeira bosta quanto a filmes, qualquer um deles pode ser visto na TV normal. Daí que não vale a pena pagar extra para tal.

Já quanto a séries, o que mais prometia, outra bosta, mas menos má. Mecanismo valeria a assinatura, excelente. Gypsy, infelizmente, só tem uma temporada. De resto, enche-me um bocado a paciência a frequência com que o tema: assassínio aparece nas sinopses. Rara é a série que não seja à volta disso. ‘Tou de saco cheio de violência.

Vamos antes aprender a lidar connosco e com os outros.

E cheguei à conclusão de que é isso que me chateia, mesmo quanto ao meu tipo preferido, a que dediquei mais tempo e, na minha modestíssima opinião, a única coisa que vale verdadeiramente o investimento: os documentários.

Tudo muito americano e por isso demasiado fake. Como se as coisas de cabeça fossem curáveis e ainda mais por passe de mágica. Mesmo que tenha gostado de alguns.

Sou e serei team BBC.

Take your pills, que mostra a sociedade doentia em que os EUA se tornaram, e para a qual arrastam toda a sociedade ocidental: a que usa comprimidos para mascarar sintomas do corpo que simplesmente informam: já chega, estás a dar cabo de nós, mas que a cabeça não aceita, e que faz de 90% dos estudantes universitários americanos aditos a adderall, para aguentar a performance. Atletas incluídos. Tudo fake, as miúdas da ginástica não são as melhores porque têm bons treinadores, porque se dedicam à causa, mas porque tomam comprimidos… Phelps idem. E que é o resultado de uma sociedade que vive para o consumo e para se ser o melhor, custe o que custar. Desconsiderando personalidades, maneiras de ser, tipos psicológicos. A sensação com que fiquei foi que nos querem transformar a todos em STJs. Deus me livre… Uma doença mental e das boas… Simplesmente porque acaba com a diversidade, que é o que nos torna mais ricos e mais humildes.

Hunting Ground, produzido por um casal que conheci nos EUA, sobre abuso sexual e violação entre estudantes americanos de universidades de topo, de todo o tipo, incluindo: Harvard, Princeton, Berkley, e como se protegem, e aos abusadores, por causa da reputação, em detrimento das miúdas abusadas e violadas. Bom de tão chocante.

Innsaei, muito bom, com exemplos europeus e por isso sempre mais realista.

E o melhor de todos: The Last Shaman, sobre um introvertido, INFP de certeza, que vai para a Amazónia, Peru, tentar o último recurso antes de se matar: um ritual de ayahuasca. Humanista, realista, o que se quer: conexão, empatia, gente de verdade por detrás do personagem.

E, com tanta reclamação, porque é então o melhor amigo do introvertido?

Porque durante todo esse tempo não pensei em fumar ou em nada que me autodestruísse ou deprimisse.

1 Comment

  • Reply camila mendonça 15/08/2018 at 14:06

    Miúda, assiste ao Doenças do século 21, mto interessante!!! E please, depois comente comigo!!!!!!!

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