Em noite de Oscars, Van Gogh.

04/03/2018

Não é o Loving Vincent, candidato a oscar de melhor animação, brilhante, no que ao desenho diz respeito, sofrível quanto à forma como a história foi contada, que vale a pena ver. O que vale a pena é o

Nos passos de Van Gogh,

que passou um dia destes na RTP2 e que vale cada minuto. Texto maravilhoso, no RTP Play, por pouco tempo. Verdadeiro serviço público. Lamentável o tão pouco que evoluímos no que à valorização do trabalho artístico diz respeito. Gostei tanto que vi duas vezes seguidas. A primeira enquanto varria e limpava o pó à casa toda e a segunda em frente ao ecrã, para garantir que não perdia pitada.

Só vendeu um quadro em vida. Depois de morrer, foi considerado o pai da arte moderna. O meu pintor preferido, INFP de certezinha…

Van Gogh

  • M. Conceiçao Pereira Carvalho 04/03/2018 at 21:59

    É espantoso o tempo que a sociedade leva a digerir o talento quando ele não se enquadra nos padrões estéticos que aprendemos serem referências de apreciação! Van Gogh estava a leste de tudo isso. Não estava interessado em retratar ‘belezas’ ou catedrais, até porque provavelmente nemcomo curiosidade o atraiam. Ele queria a vida real e a sua mensagem era chamar a atenção para o quotidianodos que, como ele ou perto disso, aceitavam a vida e conseguiam ver nela uma outra espécie de beleza que não se identificava com o conceito de felicidade em que artistas académicos e marchands estavam focados. Espantosamente nunca conseguiu ganhar que chegasse sequer para o essencial na vida e na pintura. A última carta que recebe do irmão, que era quem lhe valia naquela persistente pobreza, não lhe magoa o orgulho mas deve ter-lhe dado a noção da inutilidade do seu trabalho perante os problemas que causava na vida daquela família que esperava outro filho e estava longe de ser abastada. Não vi o filme, porque ontem à noite não vi televisão, mas espero ainda dar com ele no arquivo.
    Tem razão a Isabel. A televisão, que poderia e deveria ser um meio de enriquecimento cultural e de sobressalto do espírito através de uma variedade de critérios que nos pusessem a pensar, enche-nos os ecrans com football, novelas, festivais, publicidade enganosa e outros subtis meios de formação do gosto e de direccionamento dos interesses. É raro um programa que nos faça largar a ‘vassoura’! Creio que a partir de uma certa hora no 2º canal, com alguma sorte, encontramos um ou outro programa de interesse. Valem-nos alguns canais estrangeiros. Mas quem a eles acede nunca é quem mais beneficiaria de uma TV em português que lhes alargasse os horizontes. Por mim, deve ser da idade, a maior parte daquilo que por lá vejo parece-me triste, como se vivessemos um mundo com uma pulsão de morte que só se debruça sobre temas mórbidos ou , em alternativa, outros que nos distraiam dele.
    Mas sempre temos os livros, os nossos filmes – que nem sempre temos pachorra de por a passar…- , a música, e os jardins para onde podemos ir ler, com as benditas esplanadas dos quiosques, as crianças a rirem e a correrem, os cães felizes a estragarem os relvados, as árvores sempre em mudanças de formas e de tons… e o céu por cima. E tudo isto quase de graça…

    • Isa 05/03/2018 at 11:03

      É bem verdade tudo o que diz minha querida, bem verdade, tudo. Custa-me em particular a questão ligada aos artistas. Porque hoje, ainda que seja muito um movimento de massas, o que é irritante, a questão é a mesma, só que se tem acesso de graça, ilegalmente, pela internet. O diabo…

  • Eros 05/03/2018 at 10:18

    Sem esquecer a brisa que tanto nos afaga, como nos arrepia. E lá está… Tudo de graça… :)

    • Isa 05/03/2018 at 11:03

      Sim :))

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