Numinoso

15/05/2018

Talvez a grande ciência seja dar espaço ao numinoso para que resolva o que fazer com as informações que inundam a consciência à revelia da nossa vontade, do nosso tempo, da nossa disponibilidade para o icognoscível. Ainda que nos deixem entre a espada e a parede, e ao ego sem solução possível. Numa angústia e numa ansiedade que em nada ajudam, pelo contrário, só engordam.

Talvez seja essa a maior lição de humildade que temos para aprender.

A de deixar que a vida resolva, que o universo faça o seu trabalho, sem que lhe digamos como, quando, onde e a que horas. E nos resumamos à nossa insignificância. Nos limitemos a fazer o que nos é possível, deixando que o numinoso se manifeste.

Talvez nos baste o papel do barqueiro

A travessia entre consciência e inconsciente. Trazer e levar conteúdos. Até que a consciência os acolha e aceite sem reservas, sem querer fazer alguma coisa com isso. E se limite a esperar que se encaixem no seu devido lugar. Que o numinoso lhes aponte um feixe de luz até que os nossos olhos se habituem ao brilho que deles emana, se esfume e possamos ver velhos conteúdos com olhos novos, fazendo dos mesmos comparsas e não inimigos a abater. Sem o cão das três cabeças temer.

Talvez só o numinoso nos salve…

Se a implacabilidade de Cronus não nos matar entretanto. Se a ditadura da atividade não atropelar o tempo da contemplação. Se o ter e o fazer não engolirem o ser. Se a urgência do daimon não nos enlouquecer…

Talvez seja só o que há a fazer…

numinoso

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