O algorítmo e as pessoas

09/01/2019

O sistema tem de decidir, de uma vez por todas, o que quer: algorítmo ou pessoas.

Tratar pessoas como algorítmos é que não pode ser…

Pondo-as a ler scritps e não lhes dar autonomia suficiente para esclarecer e resolver situações, em vez de as limitar a uma só pergunta, na esperança de que a resposta caiba num espacinho. 

Resposta essa que será usada para controlar massas e isentar as seguradoras de cobrir despesas médicas sempre que respondem: sim a uma pergunta.

Ou para lhes impingir todo o lixo de produtos de que não precisam.

Porque esse sim pode ser ocasional. E não um padrão.

Pode ser apenas uma pesquisa, que não reflete os gostos pessoais.

As pessoas não são máquinas. Não têm uma resposta simples para uma pergunta formatada. Têm nuances.

São compostas por milhões de ligações neuronais mais complexas do que uma resposta a um estímulo. Por isso não são exatas. Não entendem todas a mesma coisa, da mesma maneira.

E mudam. De gostos, de necessidades, de desejos, de vontades.

E, apesar do sistema as tentar encurralar de todos os jeitos possíveis, ainda têm autonomia sobre as suas próprias decisões e escolhas.

As que pensam, pelo menos.

Que não se deixam convencer de que são apenas um algorítmo. Que não vendem a sua liberdade e autonomia por um descontozinho, um passatempozinho. Mais um trapo de que não precisam.

É um desperdício de recursos. Já há máquinas e computadores que fazem tudo. É deixar o desejo do algorítmo a cargo delas. Máquinas essas que não incomodam, não fazem perguntas, nada exigem, apenas obedecem a um comando. Deve sair mais barato e dar menos chatices, tão ao gosto do sistema: prima # para outras opções.

As pessoas, as que pensam, pelo menos, são um bocadinho mais exigentes.

É libertá-las para que usem todos os seus recursos e capacidades. Em vez de lhes atrofiarem o cérebro, as enfiarem numa cama de Procusto até que definhem ao ponto de se tornarem nuns zombies movidos a anti-depressivos e junk food.

Ou a remédios para os nervos…

O pior? A consequência que isso tem para a desconexão cada vez maior em relação aos instintos mais básicos de sobrevivência. Há de chegar o dia em que já nem saberemos nomear o que sentimos sem ter o aval de uma máquina. Ou a acabar os nossos dias a ler artigos com o título: será que ele gosta mesmo de você.

Se entretanto não nos transformarmos num calhau com olhos antes disso, incapazes de um mínimo de humanidade quando lidamos com as maiores vulnerabilidades das pessoas.

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