O caminho arquetípico do masculino – O Guerreiro

03/08/2019

Como usamos o exemplo de um personagem, Jamie Fraser, para ilustrar as características dos diferentes arquétipos, resolvemos começar pelo do guerreiro.

Todos os arquétipos, e os quatro em causa não fogem à regra, coabitam ao mesmo tempo na psique individual. Não estão fechados em caixinhas na nossa cabeça e é só abrir a porta correspondente para aceder aos seus conteúdos. Nós, e a nossa psique, somos um emaranhado de características e de vozes (arquétipos), muitas vezes indistintas.

E sem lógica alguma.

Considerando que escolhemos o exemplo de um personagem, pela sua complexidade e profundidade, nem sempre as características e atitudes do personagem se encaixam claramente num arquétipo. Na mesma fala, postura, atitude, momento, vários arquétipos aparecem, na sombra e na consciência, tornando difícil, se não impossível, no limite, um desperdício, encerrá-los numa categoria.

Feita a ressalva, avancemos…

Ares, o deus grego da guerra, corresponde ao arquétipo do guerreiro, acumulando também o arquétipo do amante. É com ele que Afrodite mantém um caso, traindo o marido, Hefesto, o deus da forja.

Aqui, tal como na psicologia analítica, separamo-los.

Como já dissemos, Ares é um deus nada bem quisto entre os gregos. Por isso, as características que lhe são atribuídas são sombrias. E assim permaneceram na memória coletiva.

De homens e de mulheres.

Ficámos apenas com a memória da força bruta, da violência, do temperamento intempestivo e da agressividade. Esquecendo-nos inclusive que ele começou por ser o deus da dança, uma característica marcadamente do feminino.

Com a quantidade de guerras e a especial perversão que as acompanha, é natural que se rejeite a identificação com o arquétipo do guerreiro.

No entanto, sempre que negamos um arquétipo, individual e coletivamente, o que expressamos dele é a sua sombra, apenas. Neste caso, a violência emocional e física.

A verdade é que um guerreiro é muito mais do que isso.

Já que a energia psíquica do guerreiro está universalmente presente nos homens e nas civilizações que criam, defendem e desenvolvem. Podemos mesmo dizer que é vital para a construção do mundo.

A agressividade é uma atitude perante a vida que desperta, dá energia e motiva.

Força-nos a aceitar a ofensiva e a sair de uma posição de defesa ou de observação em relação ao que temos pela frente, sejam afazeres sejam problemas. A única forma de enfrentar a batalha da vida é cara a cara e o único movimento é em frente.

Um exemplo claro deste movimento em frente, na personagem de Jamie Fraser, é quando avança, sem medo, de espada na mão e aos berros, em Culloden, sabendo que não iria sobreviver. E não se poupando à batalha, luta ferozmente e, enquanto líder do clã, dá o exemplo aos seus conterrâneos.

(Continua…)

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