O desgraçadinho

16/11/2019

Em relação ao mendigo que salvou um recém-nascido resgatando-o do lixo. À demagogia do costume que se seguiu. Nomeadamente que o salvador é um desgraçadinho, que é mendigo, dorme na rua e está à espera há meses de exames e cirurgias.

E, em resposta a este comentário:

Se calhar não está assim tão abandonado como pode parecer, talvez tenha onde dormir, talvez tenha apoio das instituições competentes e não queira. Prefira estar na rua como muitos outros. Quanto às questões clínicas já não me pronuncio.

Respondo:

É evidente que tem onde dormir e o que comer

Não dorme com um teto em cima da cabeça porque não quer. Porque isso lhe limita a liberdade. Tem de cumprir regras, chegar a horas, conviver com outras pessoas, dormir no mesmo espaço com pessoas que nunca viu…

E se não chegar a horas, não entra.

Entendo-o perfeitamente, quanto às questões de liberdade individual.

A liberdade tem um preço e o preço que ele aguenta pagar é viver na rua.

Quanto aos cuidados médicos, também não me pronuncio.

No entanto, em jeito de heads up, quando a gente decide sair do sistema, não pode exigir que o sistema cuide de nós. Apesar de haver um mínimo de dignidade que tem de ser adequada e assegurada. Queira a pessoa ou não. Nomeadamente quanto a cuidados de saúde.

Mas espera ele como espero eu

A diferença é que eu pago impostos e ele não…

Se somos todos iguais, porque é que ele há de me passar à frente se eu até pago impostos para garantir cuidados de saúde mínimos, nomeadamente, não morrer porque fiz uma cirurgia a tempo?

Eu fiz a minha escolha, e sacrifiquei, e sacrifico, todos os dias uma série de coisas. Pago o preço que aguento pagar. Ele fez a escolha dele…

E os socialistas, e a esquerda em geral, têm de entender isso de uma vez por todas: as pessoas têm direito a escolher como vivem, por mais que a gente não as entenda e por isso não aceite as suas decisões.

Isso é respeitá-las, de olhos fechados.

Sem querer ser paternalista, fazer o que se acusa a direita e os católicos de fazerem, típica projeção da sombra, ou seja: decidir por e achar que sabe o que é melhor para os outros. Que são adultos e por isso responsáveis pelas suas vidas. E as suas decisões.

É preciso ser-se muito convencido para se achar que se sabe o que é melhor para o outro.

Mas é mais fácil do que admitir que basta uma decisão errada e qualquer um de nós está a dormir debaixo da ponte. E por isso não quer ver essa realidade estampada na cara. E faz tudo para o evitar.

O mais fácil?

Posar de bonzinho. Passa batido e gera culpa, acusação e descredibilização de quem ousar questionar.

Não há contraditório e, com esta proibição de falar contra a cartilha do politicamente correto, o Chega, nas próximas eleições, elege 4 deputados.

Leram primeiro aqui…

Isto, que se vê na imagem, é o tipo de coisa que não pode acontecer no mundo no século 21.

Esta miséria.

Repito isto até à exaustão, quando o povo começa a queixar-se da saúde pública na Europa.

Na apresentação dos Jogos Olímpicos de Londres, há uma frase da Rainha que diz: nenhum país pode considerar-se civilizado enquanto houver uma criança a morrer por falta de cuidados de saúde.

O NHS, National Health System britânico, serve para isso.

Não tem a ver com esquerda e direita, liberal ou conservador, mas com limites mínimos que garantam a dignidade até ao fim, de qualquer ser humano. Que todos tenhamos direito a drogas e das boas antes de morrer. E no processo, já agora…

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