O que é Real

24/09/2018

Com a frase: “a arte nem sempre tem que ser leve e bonita. Ela tem que ser real”.

A Ju acaba de me esclarecer o que me irrita tanto na publicidade, institucional ou não, e na quantidade de gente que é feliz nas redes sociais. E nos blogs, já que falamos nisso. real

E não, não se trata de inveja.

Não sejamos básicos e superficiais…

A arte, como toda a criação, e toda a vida, atrevo-me a dizer, tem de ser real. Refletir os medos, as angústias, os fascínios, as vulnerabilidades do artista, do criador, do vivente.

É a experiência vivida pelo próprio que transforma dor em consciência, incompreensão em acolhimento, projeção em autonomia. Distanciamento em proximidade. Confusão em reconciliação. E é a consciência dessa experiência que nos liberta da sombra, da vitimização, da dependência, da necessidade de aprovação.

O real pode não vender…

Quando é verdadeiro, vai além da persona e da projeção. É visceral, até… Mas conecta, liga-nos uns aos outros, torna-nos humanos e humanizados. Em vez de frustrados, reféns de gente que se move por poder, protagonismo, falsas aparências, complexos de Deus.

Não se trata de alimentar sombra, neurose, vitimismo. Mas, como diz o Tim Burton, de sermos capazes de nos sentarmos na escuridão uns com os outros sem tentarmos concertá-los. Trata-se de compaixão, apenas. E de confiar que tem as soluções cabíveis à sua consciência, valores, necessidades, ética.

Soluções essas que, não me canso de repetir, são individuais e não receita de bolo.

E a realidade é interna, não externa.

Depende de quem somos, na essência. E da vida que cada um teve. Somos nós quem a define, à nossa, pelo menos. E essa muda todos os dias… Desde que estejamos dispostos a vê-la. E a crescer com ela… Que se torna cada vez mais real quanto mais nos aproximamos. E os afastamos, num pulsar eterno. No fundo, a vivenciamos e nos predispomos a aceitá-la.

Por isso insisto tanto no autoconhecimento

De nada adianta tentarem convencer-nos a não sentir o que sentimos. O que só nos torna mais e mais isolados. O que sentimos só muda quando nós mesmos nos encarregamos de ver a questão sob um prisma diferente. Por vontade nossa. Não porque dá mais jeito ao outro, que, normalmente, não aguenta que a ilusão em que vive caia por terra. A ilusão de que pode tudo, escondendo vulnerabilidades, não se permitindo sucumbir ao mistério, pior do que isso, à dor e à delícia de se ser o que é, como diria Caetano.

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