O Sexo e a Cidade* – 20 anos

07/06/2018
Absolutamente inovadora, refrescante, libertadora.

A série que desamarrou muitas e muitas mulheres do patriarcado vigente, do catolicismo exacerbado, da castração sexual e emocional. Em Sexo e a Cidade, revemo-nos e aos nossos maiores sonhos e pesadelos. O que pensamos, queremos, sonhamos e desejamos, sem que nos atrevamos a verbalizar, estava ali exposto, libertando-nos para o que quer que fosse que quiséssemos viver. Só por isso já teria valido. E o sentido de humor ajuda.

Escrevi sobre a série, que este ano faz 20 anos, em dezembro do ano passado, depois de ter revisto todas as temporadas.

Aqui fica, republicado.

Apesar das torres gémeas no genérico, dos primórdios da internet, dos discman e dos head phones unidos por uma auréola, da ausência de telemóveis, a dar os primeiros passos lá para o meio. De a Carry ter menos dez anos do que eu, da frustração de não assinar uma coluna num jornal, da histeria do êxtase manifestamente exagerada, mas engraçada, não sou screamer e não faço favores nem alimento egos pouco esforçados e quase nada dedicados à causa. Dos outfits foleiros e muitas vezes desapropriados, das saídas à noite e de dia, de ninguém cozinhar. O Sexo e a Cidade permanece real.

E a identificação total

O argumento, as perguntas iniciais escritas em Mac antigo, as obsessões e as compulsões, as dúvidas, as questões de poder tão bem retratadas. As coisas de que tentamos convencer-nos para manter um relacionamento, quando tudo nos desconvence. Tudo muito real. Transversal a todo o ocidente.

Quase 20 anos depois, comecei a rever todas as temporadas, episódio a episódio, por ordem.

Não gostamos de quem deveríamos (Aidan), não resistimos a quem pouco nos acrescenta (Big). E continua a não bastar um gajo ser querido e afetuoso. Aidan, por exemplo, não me convence, é extrovertido e colante demais…

Às vezes não ter nada a ver connosco e ainda assim…

O que me encanta, ou não fosse eu das letras e não escrevesse sobre outra coisa que não relacionamentos, é o argumento. O texto é inteligente, humorista muitas vezes, humanista em todas elas. A construção de personagens também. Têm um padrão definido, como temos todos, mas não se fecham em si mesmas, tendo múltiplas camadas, segredos escondidos, gavetas fechadas e esqueletos no armário.

Além disso, não precisa de crimes para sobreviver e nunca, nunca perde o interesse.

Por isso, é para seguir Michael Patrick King para onde for.

Conseguiu fazer de um livro absolutamente repugnante e mal escrito uma série intemporal. E fabulosa.

*Republished (16/12/2017)

  • Eu sim tu não 09/06/2018 at 02:53

    A-D-O-R-A-M-O-S o post!!!
    Nós também ousamos fazer um tributo à série mais icónica de todos os tempos, no nosso blog🖤

    http://www.eusimtunao.wordpress.com

    • Isa 09/06/2018 at 13:05

      não há como ficar indiferente à data ;))

    error: Content is protected !!