O Sexo e a Cidade

16/12/2017

Apesar das torres gémeas no genérico, dos primórdios da internet, dos discman e dos head phones unidos por uma auréola, da ausência de telemóveis, a dar os primeiros passos lá para o meio. De a Carry ter menos dez anos do que eu, da frustração de não assinar uma coluna num jornal, da histeria do êxtase manifestamente exagerada, mas engraçada, não sou screamer e não faço favores nem alimento egos pouco esforçados e quase nada dedicados à causa. Dos outfits foleiros e muitas vezes desapropriados, das saídas à noite e de dia, de ninguém cozinhar. O Sexo e a Cidade permanece real.

E a identificação total

O argumento, as perguntas iniciais escritas em Mac antigo, as obsessões e as compulsões, as dúvidas, as questões de poder tão bem retratadas. As coisas de que tentamos convencer-nos para manter um relacionamento, quando tudo nos desconvence. Tudo real. Tudo transversal a todo o ocidente.

Mais de 15 (?) anos depois, comecei a rever todas as temporadas, episódio a episódio, por ordem.

Não gostamos de quem deveríamos (Aidan), não resistimos a quem pouco nos acrescenta (Big), não basta um gajo ser querido e afetuoso. Aidan, por exemplo, não me convence, é extrovertido e colante demais…

Às vezes não ter nada a ver connosco e ainda assim…

O que me encanta, ou não fosse eu das letras e não escrevesse sobre outra coisa que não relacionamentos, é o argumento. O texto é inteligente, humorista muitas vezes, humanista em todas elas. A construção de personagens também. Têm um padrão definido, como temos todos, mas não se fecham em si mesmas, tendo múltiplas camadas, segredos escondidos, gavetas fechadas e esqueletos no armário.

Não precisa de crimes para sobreviver e nunca, nunca perde o interesse.

É para seguir Michael Patrick King para onde for.

Conseguiu fazer de um livro absolutamente repugnante e mal escrito uma série intemporal. E fabulosa.

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