Oeiras

10/07/2019

Caro Isaltino,

Posso chamá-lo caro?

Os munícipes de Oeiras, que têm a felicidade e a inteligência de morar junto ao mar, agradecem o passeio marítimo, construído durante um dos seus mandatos antigos.

Onde se desaconselha andar de bicicleta durante as horas de maior fluxo, e ainda bem. Imagino que seja porque não se pode cobrar licenças a ciclistas para circular na via pública.

O passeio marítimo está cheio de ordens inúteis – ser adulto e maduro é não aceitar que ninguém lhe diga o que fazer, fazer o que quiser e viver com as consequências – uma delas, recente, que nos diz para parar no passeio. Em cujo piso o senhor mandou escrever que é para andar.

Alguém aqui é esquizofrénico e não sou eu…

Acontece que as pessoas frequentam os passeios marítimos precisamente por poderem correr e andar sem terem de respirar monóxido de carbono o tempo todo. Não sei se se deu conta disso, mas é precisamente por isso que as pessoas se dão ao trabalho de os frequentar.

Caso contrário, corriam em casa, ou na segunda circular…

Qual não é o meu espanto, quando me dou conta, ontem, que o passeio marítimo começa a encher-se de veículos de comida.

Ontem era uma motoreta a vender gelados, e a poluir o ambiente. Tanto pelo som do motor, como pelos fumos do tubo de escape.

Hoje era uma van, a vender pizas ou lá o que é, ligada a um gerador. Que fazia um barulho insuportável e que também não deve ser das melhores coisas para o ambiente.

Senhor, acredito que as licenças que esta gente lhe paga lhe dão jeito. E que se os munícipes que o elegeram não protestarem, daqui a seis meses temos de pedir licença aos vendedores de tudo e mais alguma coisa para passar. Ou a feira de Carcavelos ali montada.

Tenha paciência, reveja lá isso.

Não se esqueça, o passeio é nosso.

Melhores cumprimentos,

Acabou o Patricarcado

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