Os dias grandes

02/01/2018
Não vejo a hora de chegarem os dias grandes.

Tenho grandes planos para os dias grandes. Escrever um romance em lugares de madeira ou de vidro, com uma boa vista para a rua ou o mar; fazer exercícios de escrita; ler, pesquisar; planear aulas, tudo nesses lugares. Para onde irei sempre que precisar de substituir a barulheira na minha cabeça pela de outras vozes. Ou da dose certa de extroversão. Cujos empregados são complacentes com os pobres escritores, que lhes ocupam uma mesa uma manhã inteira, consumindo apenas um café e mendigando a password do Wi-Fi. Talvez um chá ou um capuccino, sempre são servidos em canecas maiores e aguentam mais tempo, enquanto têm a dupla função de manterem as mãos aquecidas. Quem sabe se não será o próximo prémio Nobel? Afinal, não querem ser vistos como os mesquinhos que humilharam o melhor escritor do mundo.

E fantasiar que conheço um homem bom numa livraria de rua que não existe, de porta vermelha e um sino que toca quando se entra. Mas que também poderia ser a Menina e Moça, na Rua cor de rosa.

Janeiro chega com a promessa dos dias grandes. E a de um ano novo. Que assim seja. Bom ano.

error: Content is protected !!