[Outra vez o] Reconhecimento

10/04/2018

reconhecimento

Já tinha estudado os deuses gregos, com um dos melhores professores que tive, já tinha lido sobre o tema, pelo viés da mitologia e acima de tudo da psicologia, que é sempre o que me interessa. Se não posso fazer nada com o conhecimento, de forma a mudar algo ou a tomar contacto e ganhar consciência de algum padrão, não perco o meu tempo. No entanto, foi preciso dedicar-me à causa, viver a minha jornadinha do herói, para me dar conta de uma série de coisas.

Uma delas veio com Hefesto

E prende-se com a necessidade psíquica de reconhecimento, vital em todos nós. Não do que nos reconhece como especiais de corrida, mas do que nos reconhece a existência.

Se estamos à espera do reconhecimento de qualquer um para fazer alguma coisa, dele dependemos para viver, quando não vem, sentimo-nos uns nadas, uns zero à esquerda. Adotando o consequente comportamento auto-destrutivo.

Os pares são quem conhece o tema e nos reconhece como capazes de propagar o conhecimento a ele associado. Quem nos qualifica de verdade. Por isso, quando nos apercebemos que esse é o único reconhecimento que importa, o que temíamos desvanece-se. E só nos resta andar para a frente, com uma coragem e uma motivação inabaláveis.

Quando vêm os resultados, testemunhados por quem a nós recorreu, por nos reconhecer capacidades para ajudar a lidar com a questão psíquica, e não quem promete curá-la…, mas quem nos ajuda a conseguir viver com ela, e a seguir em frente, apesar dela, resta-nos continuar a andar.

O caminho é longo e promissor

Nisto do reconhecimento, lembro-me sempre muito do Discurso do Rei. O terapeuta não tinha grau académico em terapia da fala ou lá o que era. No entanto, foi o único que conseguiu resolver o problema de gaguês do Rei. Com sensibilidade, autoconfiança, instinto, humanismo, conhecimento empírico. Contra todos os outros especialistas, que sequer se davam ao trabalho de ouvir o paciente, de o conhecer, de tentar descobrir a origem emocional da gaguês.

A técnica não serve de grande coisa se a ela não estiver associada humanidade. Como diz Harari, detetar doenças qualquer máquina com inteligência artificial no futuro o fará. O diabo é lidar diretamente com as pessoas e suas questões emocionais, que normalmente também são nossas.

O rótulo, por mais tranquilizador, por dar a ilusão de que podemos fazer alguma coisa, é pernicioso. Ao limitar toda a complexidade que se encerra na psique de um ser humano ao conhecimento técnico. Que pode não ser suficiente. Nunca é… A especificidade de cada um dá milhões e milhões de combinações possíveis, impossíveis de caber num diagnóstico.

O importante é ir ao fundo das questões. E continuar… Mantendo uma atitude de humildade em relação ao outro, à vida, a nós…

O reconhecimento dos pares é intuitivo.

Vai além da razão. Quando acontece, acende uma luz no fundo da cabeça e de repente há paz. Tudo casa, intelecto, sensação, intuição, sentimento. Nada convence verdadeiramente sem que tudo esteja alinhado na nossa consciência. Nada…

*Ignoremos o homem, atentemos na frase.

  • Patife 10/04/2018 at 15:41

    Concordo que o importante é ir ao fundo. Chama-lhe questões, ou que lhe quiseres chamar. ;)

    • Isa 11/04/2018 at 09:36

      ahahahahahaha, seu animal :D

  • Patife 11/04/2018 at 11:08

    O teu sorriso é o meu contentamento perpétuo. ;)

    Sim e isso, chama-me nomes! ;) “Seu animal” está ótimo!

    • Isa 11/04/2018 at 11:10

      :D continuas a ser um desconcerto :p

  • Patife 11/04/2018 at 11:30

    Sim, deixava-te toda desconcertada. Isso é certo. ;)

    • Isa 11/04/2018 at 11:31

      ahahahahaha, opá isto é um blog familiar, valha-te deus :p

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