Compulsivos

07/02/2018

O grande problema dos compulsivos, dos viciados, todos os viciados são compulsivos, é o vórtice obsessivo em que entramos quando o gatilho é disparado. Algo acontece no exterior que dispara um gatilho na nossa cabeça e desencadeia uma reação. Emocional desagradável, dolorosa, incontrolável, um mau estar horroroso. Do qual queremos sair imediatamente, sequer queremos entrar, evidentemente.

Ao mesmo tempo, qual instinto de sobrevivência, uma memória antiga é despertada, uma solução de recurso, um comportamento que bloqueia a dor. Esse recurso, que apenas disfarça a questão, o problema, aparece como solução única e milagrosa para sair da dor. É o pensamento obsessivo que toma conta do nosso cérebro e só se acalma quando lhe damos a droga correspondente: açúcar, álcool, pó, cigarros, consumismo exacerbado, trabalho insano, desporto excessivo, sexo. 

A grande ciência e aprendizagem de um compulsivo é aprender a esperar. Coisa que parece impossível quando o diabo se apossa de nós.

Três refeições por dia, a intervalos de 5 a 6 horas cada, com a proibição absoluta de comer o que quer que seja nos intervalos e a garantia de proteína em todas elas ajuda.

O truque é saber que vai ter

Para quem é adito, compulsivo, o diabo é saber que ainda há ou que nunca mais vai haver.

Talvez haja um pensamento de escassez enraizado. De rigidez, de historial familiar e social de castração, repressão do prazer. E nos tivéssemos habituado a consumir tudo quanto há, na hora. Mesmo que não nos satisfaça mais, apenas por não sabermos quando voltaremos a ter.

TOC é outra história, é compulsão levada ao extremo.

Equilíbrio

06/02/2018

Tenho a certeza absoluta de que não sobreviveria sozinha na selva uma semana. Ou num sítio qualquer onde a civilização não tivesse chegado. Também me lembro amiúde do filme do chato do Tom Hanks numa ilha deserta, em que os cartões de crédito que o safavam na cidade e ainda lhe permitiam fazer boa figura, de nada lhe serviram no meio do oceano. Daí que sei há muito tempo que o intelecto não é síndroma de superioridade. A cultura geral de inteligência. Mas, tal como todos os europeus, sou filha da razão. Da ciência. E por isso não a nego. Também não a exacerbo. Muito menos acredito que é tudo o que há. Essa necessidade de prova e contra prova já quase me matou e é na minha modestíssima opinião o que acabou com o Freud.

Eros e Psiquê. O Amor entre os Deuses e os Homens.

E o que eleva Jung a um patamar superior.

Mas o excesso de patriarcal parece querer empurrar grande parte da humanidade para o extremo oposto. Enquanto a outra parte permanece agarrada a ele, tornando-se excessiva nas suas manifestações e defesas, fazendo a apologia do indefensável.

Gente que não vacina os filhos, que resolveu voltar para o matriarcal negando tudo de bom, positivo, civilizacional, tecnológico, até, isto talvez não, como é que postávamos no facebook que amamos a mãe terra e demais esoterices, que quer fazer dietas do paleolítico, como se os homens de hoje tivessem as mesmas necessidades nutricionais dos primitivos, poupem-me, a sério, gente que paga fortunas por uma garrafa de água do rio tal que não faz ideia se está contaminada, gente que se esquece que o povo, antes da ciência e da revolução industrial, não chegava aos 40 anos, e que enche o bolso dos espertos que se aproveitam de quem não pensa para enriquecer, é tão louca ou desequilibrada, neurótica, vá, quanto o seu oposto.

A nova ordem não é a negação absoluta do patriarcal.

Já lá estivemos e também não deu certo. O patriarcal equilibra o excesso de matriarcal, de desejo, de alienação. O matriarcal também tem o respetivo polo negativo, o descontrolo emocional, o vale tudo. A razão é precisa para haver equilíbrio. O patriarcal é organizador. É o equilíbrio do patriarcal com o matriarcal, o desejo, a nutrição, o instinto, e acima de tudo o princípio feminino do Eros, do Amor, que é o fiel da balança que dá equilíbrio a isto tudo.

E totalidade. Que se obtém com a união dos opostos. Ou, pelo menos, a amena convivência entre eles. Porque ao escolher um lado, estamos a negar o outro, que irá apossar-se da nossa consciência e fazer o que quiser connosco até que o reconheçamos e lhe atribuamos o devido valor.

Parem com isso…

Comprometimento

02/02/2018

Um dia destes, a caminhar com uma amiga, dizia-me: as pessoas só dão valor ao que é pago. Frase que ouvi vezes sem fim no Brasil. Por outro lado, pensava eu, porque querem as pessoas descontos, pagar menos, de borla, até. E isso alastra-se que nem uma praga a propostas de trabalho, imagine-se. Como se vivêssemos todos do ar. Ou só determinada atividade fosse considerada trabalho.

E se é muito caro, num país como Portugal, em que a média dos salários é baixa, também ninguém se chega à frente. Por outro lado, o português gosta de um exclusivozinho. Pela-se por uma área VIP, dá-lhe uma sensação de importância e de poder. Vê-se isso nos restaurantes que têm lista de espera de sei lá quanto tempo. Há uma série de fenómenos que não entendo e esse é um deles. O de que a carneirada decide o que é bom. Quando a maioria nem gosta assim tanto, mas se os outros gostam, então também devo ter de gostar, não devo estar a perceber bem a coisa. comprometimento

Excluindo a questão do poder miudinho. E indo além da sensação de conquista, que dá o podermos pagar alguma coisa de que gostamos ou que queremos fazer.

Certa vez, li um autor de quem gosto muito responder a alguém que lhe tinha pedido um livro dos seus, de borla. Dar um livro a alguém que nem sequer vai lê-lo? Para quê?

E a jornada do herói voltou a responder à minha dúvida.

É uma questão de comprometimento

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Abençoada seja a ciência

01/02/2018

No outro dia, dei um cheirinho do que seriam pessoas sensíveis ao açúcar. E aqui há tempos falava no que acontecia comigo durante a corrida e respetivas propriedades viciantes. Que não se prendiam com as endorfinas, fiz desporto a vida toda e sei bem a diferença entre a sensação depois de um desporto normal e a que sentia durante a corrida. Hoje descubro que se deve a um neurotransmissor fascinante chamado beta-endorfina.

As pessoas sensíveis ao açúcar têm um desequilíbrio químico que se resume na baixa de dois neurotransmissores:

A Seretonina, que lida com a disposição e o comportamento. Nos níveis certos traz otimismo, paz de espírito, com influência direta no autocontrolo, e aumenta níveis de criatividade, dando uma sensação de relaxamento. Quando o cérebro não a produz em quantidade suficiente, temos vontades incontroláveis de álcool, doces ou hidratos de carbono. Todos açúcares.

E a Beta-endorfina, que lida com a dor e o bem-estar, tem impacto direto na autoestima, na tolerância à dor, inclusive emocional, proporciona sensação de conexão com os outros e dá-nos a capacidade de ação pessoal e responsável. Quando em baixa, afeta a nossa capacidade para lidar com situações dolorosas e os sentimentos de esperança em relação ao futuro são substituídos por desespero. Causa depressão, impulsividade, vitimização.

Por isso a corrida vicia. Naquele momento em que já não aguentamos mais, o cérebro liberta beta-endorfinas que nos trazem uma imensa sensação de paz e conexão.

A base dos antidepressivos é a seretonina. Por isso as pessoas se sentem um pouco melhor na proporção inversa em que as farmacêuticas se enchem de dinheiro à conta dos desgraçados. O problema é que não resolve a questão das pessoas sensíveis ao açúcar. Que precisam de equilibrar também as beta-endorfinas e os níveis de açúcar no sangue. O que se consegue com alimentação. E não com drogas de pouca dura, como o chocolate, os comprimidos, o álcool…

Por uma descompensação química no cérebro

Pessoas sensíveis ao açúcar sofrem frequentemente de depressão, apatia, tristeza, cansaço, impulsividade, são reativas e propensas a fúrias. Muitos dos seus comportamentos que odeiam estão relacionados com o desequilíbrio químico que existe nos seus cérebros. Estas pessoas reagem mais intensamente à presença e ausência de açúcar no sangue. É uma adição hereditária e afeta os mesmos sistemas bioquímicos no nosso corpo que são afetados por drogas como morfina e heroína.  Ler Mais…

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