O caminho arquetípico do masculino II

31/07/2019

No livro, aparece a sombra de vários arquétipos do masculino e que constituem o personagem. É, aliás, o confronto entre duas sombras, a dele e da personagem feminina com quem contracena, Claire, e a permanência do casal junto, depois da tormenta, que torna ambos os personagens tão fascinantes.

Amam-se, apesar de se conhecerem.

Vamos usar o personagem da série sempre que revelar o arquétipo integrado (ou não). E o do livro, para ilustrar a sombra.

O livro, ou, melhor dizendo, o manual, que servirá de base a este ensaio, por resumir de forma exemplar e bem simples um assunto tão complexo quanto o do masculino, deus abençoe os americanos, chama-se: “King Warrior Magician Lover” (Rei, guerreiro, sábio, amante), de Moore & Gillette.

A ordem não é sequencial.

Até porque, cada pessoa nasce com um arquétipo diferente ativado. Por isso, pode mesmo viver o sábio na infância, ou na adolescência.

Estes quatro arquétipos resumem os dos deuses gregos, oito, sendo os principais, a estrutura central da psique, de acordo com a Psicologia Analítica, de Carl Jung.

Jamie Fraser é um guerreiro escocês das Terras Altas, com a cabeça a prémio e procurado pelo exército britânico, que, poucos anos antes de Culloden, aterroriza clãs de uma ponta à outra do país. Apaixona-se perdidamente por uma sassenach, inglesa em gaélico, e juntos, e separados, vivem tudo e mais alguma coisa. Até aos 50 anos, pelo menos.

São oito os livros publicados, o nono na iminência de o ser e um décimo prometido. Mas os que já estão escritos cobrem todos os arquétipos em todas as suas versões. E ainda sobram.

Na foto, guerreiro.

O guerreiro não é um arquétipo muito bem quisto na mitologia grega. Por representar emoções com as quais os gregos não gostam muito de se identificar, como a força bruta, por exemplo. O que talvez tenha inibido o masculino de exercer este arquétipo.

Agora, segundo definição dos autores e com a ilustração do personagem escolhido, vai ser muito óbvia a vontade de viver este arquétipo incrível.

(Continua…)

O caminho arquetípico do masculino

29/07/2019

Este ensaio pretende ilustrar o caminho arquetípico do masculino, usando como modelo e exemplo um personagem de ficção – criado por Diana Gabaldon e recriado por Ronald D. Moore para TV – chamado James Fraser.   

Muito se fala em feminino e com justeza.

Com o fim do patriarcado, é natural que a força feminina surja, para equilibrar. A razão com o sentimento. E que essa força assuste. São séculos e séculos de histórinhas de feminino ameaçando o masculino, desde a mãe e o filho de Freud, passando pelas bruxas e os padres.

Dividir para reinar, uma das formas mais antigas de manipulação. Pôr medo nas pessoas e fingir que as protege, para as controlar.

É natural que haja um levante do masculino

Do patriarcado, que se ente ameaçado como nunca. Trump, Bolsonaro e Boris Johnson são exemplos de uma tentativa desesperada de sustentar o patriarcado, no seu pior, a força física e a intolerância absoluta.

Vale dizer que o pior e o mais extremo exemplo de patriarcado recente foi Adolf Hitler. E ninguém quer repetir isso…

No entanto, não há mais como combater

Acabou o patriarcado. E quanto mais depressa isto for aceite coletiva e individualmente, menos dói.

Não seria clichê repetir que o masculino também precisa de se adaptar. Até então rei e senhor de tudo, e não havendo volta a dar, o masculino vai ter forçosamente de se alinhar. E nada melhor do que arquétipos integrados que ilustrem formas diversas, tantas quantos os arquétipos, de definir um rumo. Sem deixar de ser homem. Muito menos sentir-se ameaçado pelas mulheres.

No fundo, pelo seu feminino psíquico interno.

Tudo é clichê, a verdade é que ninguém resolve. E os homens não pedem orientações…

Assunto que interessa também às mulheres.

Pois talvez James Fraser não seja possível, por ser um homem criado por uma mulher e, portanto, idealizado. É um animus, na verdade, o masculino psíquico em todas as mulheres. E não um homem de verdade, a ser possível a integração de todos os arquétipos. Alguns apenas podemos vivê-los. Se isto não convencer, trata-se de um manual para conhecer o masculino, o seu e o do seu companheiro…

A escolha do personagem é óbvia

Apesar de James Fraser ser manifestamente mais feminino na série do que no livro. Seria inaceitável um personagem masculino como o do livro na TV, no momento atual. Ron Moore foi muito inteligente na adaptação do personagem, que segue credível apesar de não tão macho.

*Nesta foto, declaradamente Rei, arquétipo do político integrado. Sem com isso abalar a honra. (In: Dragonfly in Amber)

(Continua…)

Sexta transplanetária

29/07/2019

Na sexta-feira passada ocorreu a festa transplanetária organizada pela minha amiga e guru de MBTI Mariana Portela. Que, com a generosidade que lhe é natural, convidou-me para ler no seu sarau. Aqui fica o que eu disse:

Obrigada à  Mariana, pelo convite e a honra; obrigada ao espaço, todo o mundo, e à mídia ninja, pela acolhida e a divulgação.

Hoje faria aniversário Carl Jung, que me salvou várias vezes, também ele um ET. Celebremo-lo pois então. Só vim aqui por isso.

Outra coisa que  também nos salva várias vezes, talvez todos os dias e nem nos damos conta, é o Amor, a mais sublime forma de redenção.

E de transcendência.

E Foi nesse estado de graça, do amor e da paixão, que escrevi o texto que se segue, cujo título roubei descaradamente aos Legião Urbana, e que se chama Eduardo e Mônica. Aqui vai, dedicado a todas as pessoas de coração grande.

Eduardo e Mônica*

De que nos serve o intelecto, mi amor, se não temos o carinho dos gestos? De que nos serve sermos éticos, exemplares, corretos, se nos falta a compaixão, a identificação com o outro, o humanismo, a capacidade de largar tudo e ir a correr cuidar dele? De que nos serve o sentido do dever, meu querido, sem a generosidade incondicional dos afetos, sem liberdade emocional? De que nos serve o que fazemos pelo outro, my love, se apenas o fazemos pelo nosso ego e não, nem que seja um bocadinho, para ver o outro feliz? Só para ver o outro feliz. De que nos serve a dedicação ao outro, se não conhecermos os nossos próprios limites? De que nos serve estarmos cheios de razão e nos faltar o coração? De que nos servem as ideias, a prossecução dos mesmos fins, se corremos em direções opostas? De que nos servimos, se não nos damos? De que nos servem as palavras, se nos faltam as ações? De que nos serve fazermos sentido, my darling, se nos falta tudo o resto? De que nos serve o desejo, se nos falta o sentimento? O prazer, se nos falta o envolvimento? De que nos serve a paixão, sem mais nada? De que nos serve amarmos o outro, se não for apenas pelo facto de existir?

O segundo, é um texto do meu segundo livro, um conjunto de cartas para Dr. Freud. Não sei se o Tom Sawyer era famoso no Brasil. Mas é uma referência da minha infância e até adolescência, [porque tinha irmãos mais novos que também viam]. Esta carta foi escrita pelo amigo do Tom, Huck, Huckleberry Finn.

Barco a remos

Um relacionamento, qualquer que seja, é como um barco a remos encostado à margem de um rio, preso com uma corrente e um cadeado ao corrimão de ferro da escada de pedra. Enquanto um segura no barco e no corrimão, o outro, também agarrado ao corrimão para não se desequilibrar, põe primeiro um pé, depois o outro. O que segurou o barco faz o mesmo, primeiro um pé, depois o outro. Já lá dentro, depois de soltar a corrente, um pega no remo e encosta-o à escada de pedra, fazendo força, para afastar o barco da margem, para que possam ambos levá-lo a bom porto. O barco é pesado, os dois precisam de remar até meio do rio, para poderem pôr o barco na direção certa e ir em frente. Se só um rema, o barco anda em círculos. Se ambos remam com a mesma força, vai direitinho. Se enfiam o remo mais fundo, o barco anda mais devagar, é preciso fazer mais força, se os remos ficam mais à superfície, a travessia é mais leve e o barco vai mais rápido. A força que ambos fazem tem de ser equilibrada, de contrário, o barco navega na direção das margens, onde há sempre pedras escondidas pelas águas verdes e nem sempre tão transparentes do rio, e onde o barco vai certamente encalhar. Pode ser que não seja preciso mergulhar no rio para o tirar de lá, pode ser que um dos ocupantes tenha de entrar dentro de água para descobrir que pedra está a encalhar o barco. As margens do rio também têm plantas, normalmente frondosas, compridas e emaranhadas, onde o barco poderá ficar preso e só com algum esforço, de ambos, poderá desprender-se e voltar ao meio do rio. Se só um rema, enquanto o outro descansa, para além de andar em círculos, vai cansar-se e desistir. Se ambos param de remar, o barco vai à deriva, e quem decide o seu rumo é a força da água e das correntes, sozinha, o que, já sabemos, não vai dar bom resultado, o barco vai acabar por encalhar, embicar numa margem, sem conseguir sair de lá sozinho. Se, a meio da travessia, um resolve saltar, dar um mergulho, o outro fica sozinho no barco, tentando segurá-lo. O que saltou está mais livre, nada um pouco até onde há pé, mas certamente vai acabar com os pés no lodo, enterrado até aos joelhos, de onde é difícil sair, para ambos os lados, barco ou margem. Ambos precisam decidir levar o barco até à praia fluvial, pará-lo e puxá-lo, para que não seja arrastado pela água para o meio do rio, sozinho, à deriva. Ambos precisam de sair, apanhar sol, nadar, se tiverem vontade. Um de cada vez ou os dois ao mesmo tempo. Ambos precisam voltar ao barco e fazer um esforço para o tirar da margem, o orientar no sentido certo e o fazer seguir em frente, para que possam chegar a bom porto, um que agrade a ambos. De contrário, pode ser que um nunca compareça na hora da partida.

Seu,

Huck

A importância dos sonhos

20/07/2019

As imagens específicas que recebemos dos sonhos trazem com elas uma energia que contem potencial  transformador.

Ao integrar as epifanias ou as mensagens dos nossos sonhos na consciência, a nossa vida vigilante tira o entendimento do sonho do nível puramente abstrato, conferindo-lhe uma realidade imediata, concreta.”

Via: Albedo, Center of Applied Jungian Studies (tradução minha).

cursos@isabelduartesoares.com

JAMMF aka King of Men…

19/07/2019

Sabem aquele sonho de todas as mulheres? Que os homens adivinhem que algo se passa? Tenho uma má notícia para vos dar.

Há um gajo que consegue…

Depois de Claire estar a olhar para ele, convencidíssima de que dorme, vira-se para o outro lado.

Is something troubling ye, Sassenach?” said a sleepy voice at my shoulder.

My eyes popped open.

“No,” I said, trying to sound equally drowsy. “I’m fine.”

There was a faint snort and a rustling of the chaff-filled mattress as he turned over.

“You’re a terrible liar, Sassenach. Ye’re thinking so loudly, I can hear ye from here.”

“You can’t hear people think!”

“Aye, I can. You, at least.” He chuckled and reached out a hand, which rested lazily on my thigh.“

In: Drums of Autumn, Outlander. 

Os Dates preferidos dos Introvertidos

19/07/2019

Se há coisa para a qual os introvertidos não têm muita paciência é para dates. Esta, em particular, muito menos. Com a agravante de ser INFP, gosta da coisa original e nada formal, muito menos convencional. Tudo o que é forçado não me interessa. E, reforçando o clichê, eu sou solteira, tens de ser muito bom para compensar isso…

Tem também a fantasia.

O mundo preferido dos introvertidos INFP. A nossa grande especialidade: sonhar acordados.

Por isso, também é comum apaixonarmo-nos por personagens.

Na sequência de uma semana de happy hours todos os dias, depois do trabalho, estou doida para que sexta feira acabe logo.

Tenciono passar o dia de amanhã inteiro com o Jamie 🙃

Ler e série, ler e série… Acho que até outubro vai ser assim:

Sábados de Jamie Fraser

É que agora é um estudo… Autoenvio-me 3 ou 4 mails por dia com citações do Outlander.

Arquétipo do Jamie, frases do cacete e uma que outra steamy sex scene…

E o primeiro livro, em papel, está sublinhado com canetas de cor diferente: azul para o arquétipo do Jamie, rosa para frases do cacete.

É todo um outro nível de doença…

Outlander Compulsive Disorder: Severe…

🏴󠁧󠁢󠁳󠁣󠁴󠁿🏴󠁧󠁢󠁳󠁣󠁴󠁿🏴󠁧󠁢󠁳󠁣󠁴󠁿

Retorno

18/07/2019
A vantagem da interpretação em relação à tradução é que na primeira temos o retorno que não temos na segunda.
No limite, sabemos que fazemos um bom trabalho porque as duas pessoas que não falam a mesma língua estão a entender-se.
Às vezes, temos retorno verbal e direto.
Ontem foi uma dessas, num caso particularmente difícil.
You did an amazing job.
E, antes de desligar, ouvi-o dizer: o interprete (I get that a lot… O…) had the most Portuguese wicked accent I’ve ever seen.
Não conhecia a versão boa da palavra wicked, que quer dizer: of exceptional quality or degree.
Made my day.
Que terminou numa private session com a Elza Soares, a maior (e a melhor) feminista do Brasil.
Grata ao meu querido amigo Rafa Barreto pelo show, hei de cá vir falar dele, e pelo presentão final:
Elza e copos.
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