Ligações Perigosas*

28/03/2017

“Aceitamos o amor que achamos que merecemos” é talvez das frases mais emocionalmente cruéis que circulam pela internet. Não ajuda, não resolve, não melhora, não serve para coisa alguma. A não ser para nos fazer sentir ainda pior. É apenas fatalista, culpabilizadora, quase um: toma que é para aprenderes. Como se o facto de não sermos amados fosse culpa nossa, da nossa exclusiva responsabilidade. É um emocional porta-te bem caso contrário não te amo.

Pior do que isto para a autoestima de um futuro adulto só a rejeição e o abandono.

A variante psicológica desta frase é: “a relação que temos com a nossa mãe, ou com quem de nós cuidou, é o modelo de relação que adotamos para o resto da vida”.

Igualmente fatalista, igualmente redutora, igualmente cruel, no caso, duplamente. Durante uns tempos deixei que me convencesse, não mais.

Ligação

Conexão, ligação, contacto, vínculo, cumplicidade, empatia.

Compreensão, entendimento, aquiescência, anuência.

Algumas destas palavras são sinónimos, todas são variantes mais ou menos intensas, mais ou menos íntimas, mais ou menos extrapoladas da mesma sensação. No fundo, nomes diferentes para o mesmo desejo. Desejo esse que é visceral, primordial, permanente e constante, desde que nascemos até morrermos.

Não é carência, dependência, fraqueza de caráter, é bem mais profundo do que isso.

É o garante da sanidade.

Formas distorcidas de conexão podem levar a noções distorcidas de Amor, que carregamos nas costas e propagamos de relação em relação. Ou dele fugimos. Mas o Amor não tem que ver com merecimento, neurose, condicionamento.

É a ausência de conexão que leva à adoção de comportamentos mais ou menos destrutivos. E é conexão que procuramos em tudo quanto fazemos, em todas as relações, conversas, que mantemos.  Como o fazemos é escolha nossa e por isso da nossa responsabilidade, sim. E muitas vezes a forma como a procuramos tem precisamente o efeito contrário, o de afastamento. E precisamos de ter disso consciência, assumir essa responsabilidade. Por detrás disso pode estar precisamente o medo de nos ligarmos, e de sofrermos com e por causa disso.

O nosso maior desejo também é o nosso maior medo

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Poster

28/03/2017

Este quadro tem uma história. Vi-o antes do Natal e apaixonei-me. Gostei das cores, da simplicidade, de o vidro ser pintado, do conjunto. Mexeu comigo. Houve um símbolo qualquer que se materializou ali. Mas não o trouxe. Depois do Natal voltei ao Ikea, já em período de saldos, à secção de quadros e posters à procura dele, nada. Fiquei uns bons minutos a andar de um lado para o outro, para me certificar de que não estava em lado algum. Não estava. Fui à minha vida e voltei lá, vai que tinha sido uma cena para os apanhados e o tinham tirado e voltado a pôr, vai que me tinha enganado no sítio onde o tinha deixado há um mês, vai que… Nada.

poster

Vi um moço passar e perguntei-lhe pelo quadro.

A minha descrição foi tão boa que não conseguiu identificá-lo. Sugeriu-me que consultasse o site, o que fiz e lá descobri a imagem. Tinha sobrado um, estava no armazém, era o de exposição e por isso vinha com desconto.

Quase me vim embora; quase comprei outro, quase morri de desgosto por não haver. E consegui-o. Gostei da minha resiliência, de não ter desistido, de confirmar que o que é nosso, a nós chegará.

E não me ocorre nada mais significativo e representativo da vida artística do que isso.

Artist’s Date 86/365 – Visit a Poster Store

Quem vamos

27/03/2017
“A Jornada do Herói é um manual para a vida”

Curso Jornada do herói – Processo de individuação
Saiba mais cursos@isabelduartesoares.com

Flores

27/03/2017

Chegamos àquela altura perigosa do ano em que corro sérios riscos de atirar com o meu super bólide para a faixa contrária da marginal, galgar um passeio, varrer meia dúzia de transeuntes.

São flores, Senhor, Flores…Flores

Não sei quais me encantam mais, se as flores amarelas que despontam em cada esquina, por detrás de um arbusto, nas encostas da estrada – a marginal está pejada delas e poderia jurar que não havia nada disto no ano passado, em circunstâncias normais, seria até veemente, mas estava de luto profundíssimo e por isso fico-me por aqui – se das rosa velho que parecem plumas.

Ando maravilhada com as duas, e sinto-me uma privilegiada por ter os dois exemplares praticamente à porta de casa.

E a única coisa que sei é que temo não chegar viva ao verão…

Sê muitíssimo bem-vinda, querida primavera.

Artist’s Date 85/365 – Photograph Flowers Close Up
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