Popularidade

17/12/2019

Há muito tempo que a popularidade deixou de ser sinónimo de qualidade. Começou com os reality shows e descambou por completo com a internet. Que é o expoente máximo do tornar gente estúpida famosa.

Nem todos podemos ser o Sam Heughan que, para além de ser o melhor Jamie Fraser possível, tratar os fãs da série, e dele, com imenso carinho e paciência, aproveita a popularidade que a série lhe dá.

Não só para a produzir, juntamente com a sua co-star Caitriona Balfe, garantindo o seu lugar ao sol por mais uns bons anos. Mas também para capitalizar a experiência, enaltecendo a Escócia e respetiva cultura, ao criar o seu próprio Whiskey e Tartan.

Chamando-lhes Sassenach Spirits e Sassenach Tartan.

A isto chama-se inteligência, junta esperteza com sensibilidade, fugindo de usar o seu próprio nome, não cedendo, portanto, à armadilha do ego. Optando antes pela palavra que faz tremer qualquer mulher que conheça a série.

Saber usar a popularidade a seu favor é para poucos, talvez para os que sejam suficientemente humildes para ter consciência de que não são ninguém sem audiência.

E que a popularidade não é eterna.

Qualquer pessoa quer associar-se a alguém decente, simpático, empático e bem disposto. Ninguém quer associar-se a gente desagradável, mal educada, rude, agressiva e defensiva. Ainda por cima, sem o mínimo de noção de si mesma.

Se há coisa que tenho por certa é que a vida não perdoa.

De resto, as pessoas cavam as suas próprias sepulturas. A gente só assiste de bancada. E se congratula no fim por nunca ter embarcado na carneirada.

Questionar

14/12/2019

Desde quando passou a ser proibido questionar? Tudo? Mesmo sobre os temas que incomodam?

Que nos põem a persona em causa

Questionar é o princípio básico da filosofia, do autoconhecimento, do pensamento livre, do conhecimento em geral? Da construção da identidade, da personalidade, da vida, até…

Desde quando questionar passou a incomodar meio mundo?

Sim, questionar sem ser chamado fascista, racista, misógino, Xfóbico, xenófobo, preconceituoso?

Vamos por um lindo caminho, vamos…

Antes e depois de Outlander

14/12/2019
Comprei dois livros da Ferrante, porque os temas me interessam. Um deles com várias histórias. Pulei a primeira, uma chatice sem tamanho. A segunda, a que mais me interessa, e que me levou a comprar o livro, deixei ao fim do segundo capítulo, ainda tenciono lá voltar. É a vida antes e depois de Outlander.
Foi para lá que voltei. Voyager, o terceiro da saga.
Das duas uma, ou a Diana Gabaldon me arruinou o prazer da leitura fora da saga, ou fará de mim a melhor escritora que conseguir ser. 

Nó Celta

25/11/2019

Símbolo celta para a Eternal life – que me atraiu sem lhe conhecer o significado, ao ponto de ignorar que dizia julho.

Mas não de me passar ao lado a palavra rubi.
Sinal de símbolo inconsciente constelado na consciência.
O mesmo símbolo ficou-me atravessado numa pregadeira que eles usam nos lenços. Não aquela dos kilts, linda, que deixa um pouco de tecido preso e a ver-se, que usam perto do ombro.
É uma de pescoço.
Um nó celta que me prendeu os olhos. Sendo que papai tem com certeza ascendência celta. O inconsciente coletivo não perdoa. E o poder dos símbolos e a relação direta com temas arquetípicos está aí para prová-lo.
Muito menos brinca em serviço.
A minha cara. Para substituir a estrela vermelha que o meu bff insiste em dizer que é coisa de comuna.
Malditos os que se apropriam de símbolo universais e fazem deles seus. 

Mind the Gap

23/11/2019

“He has plunged into the healing and redeeming depths of the collective psyche, where man is not lost in the isolation of consciousness and its errors and sufferings, but where all men are caught in a common rhythm which allows the individual to communicate his feelings and strivings to mankind as a whole.

The Psyche does not trouble itself about our categories of reality; for it, everything that works is real… In psychic life, as everywhere in our experience, all things that work are reality, regardless of the names man chooses to bestow on them. To take these realities for what they are—not foisting other names on them—that is our business.” Carl G Jung

Livros – Royalties

19/11/2019

Recebi os meus primeiros royalties internacionais. Correspondentes a dois livros traduzidos em inglês, francês, espanhol e o primeiro também em italiano.

Lamentavelmente, o governo americano ficou-me com três dólares e uns trocos. De US$10… 30%.

Já em Portugal são 16%…

É mesmo só pelo amor à nobre arte da Literatura…

No calor da emoção dos 7 dólares na minha conta, quase me esqueci de agradecer às tradutoras de ambos os livros, em 4 línguas. Sem as quais nem 7 dólares seriam possíveis.

Muito menos o incrível que soam as minhas palavras noutras línguas…

Gratidão* é pouco. E voltar a apaixonar-me pelos meus livros é o melhor de tudo.

(*Aqui, curiosa e raramente, o uso da palavra gratidão está correto…)

Jornada do Herói

18/11/2019
Quando o Kev me disse que tinha ido ao Japão para ver a Escócia jogar, de propósito e só para isso, lembro-me de ter pensado: o que estes malucos não fazem pela bola…
 
Para partir para a jornada do herói, o ego precisa de um motivo, um objetivo concreto. Algo suficientemente forte que o convença a sair de casa.
E que ele entenda, aceite, ou não vai…
Para comprar o bilhete, ir até ao aeroporto e passar a porta de embarque. O Self, embora seja o vento que enfuna a vela, não chega. Mantém-nos nela, até ao fim, se conseguirmos ouvi-lo, sentir a presença de algo mais forte, inexplicável e irrecusável.
Mas é o ego que dá o passo decisivo
A minha desculpa para vir e ter viajado tanto por aqui, com tempo e sem obrigações coletivas, foi o Outlander, o Jamie.
 
Mas o que sinto quando leio os livros e vejo a série é bem mais profundo. Como o é a história dos dois. E a relação que constroem.
Por isso fui a Ayr hoje.
O porto de onde Bree vê Frank, já morto, abençoando-a na jornada. O mesmo de onde Roger parte para ir ao encontro dela.
 

Ayr, Escócia 2019.

Jornada essa que, por mais ameaçadora que seja, é para nós, está à nossa espera e nós temos condições para a cumprir. 

É a cabeça que nos ilude o tempo todo.
O corpo, o que vai além do intelecto e do pensamento, nunca nos mente. Nunca… Sem a interferência do ego controlador, ele sabe o que fazer. Para onde ir. O que lhe faz bem e o que lhe faz mal.
 
Dunure também é o porto de onde partem Jamie e Claire para a Jamaica.
 
Também é aqui que Jamie e Claire vêem o jovem Ian nadar até às ilhas Silkie. E onde Jamie havia ido antes, quando fugiu de Ardsmuir na esperança de encontrar Claire…

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O desgraçadinho

16/11/2019

Em relação ao mendigo que salvou um recém-nascido resgatando-o do lixo. À demagogia do costume que se seguiu. Nomeadamente que o salvador é um desgraçadinho, que é mendigo, dorme na rua e está à espera há meses de exames e cirurgias.

E, em resposta a este comentário:

Se calhar não está assim tão abandonado como pode parecer, talvez tenha onde dormir, talvez tenha apoio das instituições competentes e não queira. Prefira estar na rua como muitos outros. Quanto às questões clínicas já não me pronuncio.

Respondo:

É evidente que tem onde dormir e o que comer

Não dorme com um teto em cima da cabeça porque não quer. Porque isso lhe limita a liberdade. Tem de cumprir regras, chegar a horas, conviver com outras pessoas, dormir no mesmo espaço com pessoas que nunca viu…

E se não chegar a horas, não entra.

Entendo-o perfeitamente, quanto às questões de liberdade individual.

A liberdade tem um preço e o preço que ele aguenta pagar é viver na rua.

Quanto aos cuidados médicos, também não me pronuncio.

No entanto, em jeito de heads up, quando a gente decide sair do sistema, não pode exigir que o sistema cuide de nós. Apesar de haver um mínimo de dignidade que tem de ser adequada e assegurada. Queira a pessoa ou não. Nomeadamente quanto a cuidados de saúde.

Mas espera ele como espero eu

A diferença é que eu pago impostos e ele não…

Se somos todos iguais, porque é que ele há de me passar à frente se eu até pago impostos para garantir cuidados de saúde mínimos, nomeadamente, não morrer porque fiz uma cirurgia a tempo? Ler Mais…

Glasgow e Eddie

15/11/2019

Quando voltava de Inverness para Edimburgo, um moço escocês, pai de dois rapazes, homem de família, sentou-se ao meu lado no busão.

Falámos um bom bocado e uma das perguntas que lhe fiz foi: porque era Edimburgo a capital e não Glasgow, que é muito maior.

Ele falou não sei se numa regra, recomendação, lei, que nada poderia elevar-se acima do Castelo de Edimburgo e ofuscá-lo.

Castelo de Edimburgo, Escócia 2019.

Glasgow é de facto diferente.

Embora mantenha edifícios antiquíssimos e igualmente lindos, tem prédios altos. As pessoas são apressadas como em qualquer capital. E como não o são em Eddie.

Glasgow mais agitado, Eddie mais descontraído.

Tem metro. Embora pareça de bonecas, para hobbits. É mínimo e muito baixinho.

Tem uma universidade antiquíssima, também ela palco de algumas cenas de Outlander.

Linda… Que sonho, estudar ali… 

Com o Kevingrove Park ali ao lado… 

Mas Glasgow merece um texto só 

E a capital da Escócia está muito bem entregue a Edimburgo.

Parques

14/11/2019

Uma das poucas vantagens dos países em que chove dez meses por ano, como é o caso da Escócia, tive uma sorte que nem acredito, é serem muito verdes. As cidades são parques imensos.

Tudo é verde. Em todo o lado. E, em todas as planícies verdes, há ovelhas a pastar. Três para cada escocês, dizem.

Em Eddie há os Queen Gardens, enormes.

Queen Gardens, Edimburgo, Escócia 2019.

Em Glasgow há o Kelvingrove Park, junto à universidade. Passeei lá horas. No outono, particularmente bonito.

Temo que, afinal, quem tem os outonos mais bonitos é a Escócia, e não os EUA…

E este parque é um pequeno paraíso na cidade… Enorme…

Ao lado da universidade de Glasgow, também ele uma Outlander location. Que descobri por mero acaso. E me hipnotizou o suficiente para entrar e por lá deambular um bom bocado, encantada com as cores do outono e a poesia de uma ou outra folha a cair, quase a pairar, na verdade. Nada preocupada em me perder…

Glasgow também tem água. E muita. Adoro cidades com água…

Kelvingrove Park, Glasgow, Escócia 2019.

A natureza em geral, as árvore em particular, são civilizadas.

Tudo arranjadinho, por tamanhos, cores e tipos.

Mesmo nas bermas das auto-estradas. Parece paisagem de embalagem de chocolate. Lindo de mais.

Viajar pela Escócia, de combóio, autocarro ou carro, é um deleite para os olhos e um banho de poesia. Só natureza, o tempo todo. Qualquer viagem que se faça, estrada ou caminhos de ferro, é isto.

E é tão bonito…

Em toda a Escócia, onde pode haver um bocado verde, há uma árvore, ou só relva, plantada.

Toda a vista do castelo que fez as vezes de Wentworth Prison em Outlander dava um texto só…

Até onde a vista alcança e é incansável…

Jardins da “Wentworth Prison”, Escócia 2019

Kelvingrove Park é onde Claire empurra Bree no carrinho, atravessando uma ponte e passando por um escocês que toca gaita de foles.

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