A Paixão de João, o Maestro.

23/07/2018

Vi ontem o filme: João, o Maestro, protagonizado em parte por Alexandre Nero. De quem sou fã desde o Comendador. Papel que interpreta com a mesma paixão e dedicação.

Comovi-me verdadeiramente na cena final.

Neste filme, o som da música, excelente, é todo original de João Carlos Martins. Pianista clássico, claro. A música clássica comove-me sempre, danço-a muitas vezes, nas aulas, é fatal.

Uma das minhas maiores frustrações é não ter disciplina para aprender a tocar piano. Paixão

Talvez por isso, vi, e verei, todos os filmes que conheço sobre pianistas.

Um dos que conheci há dois anos toca com frequência no meu spotify, Ludovico Einaudi de seu nome, que descobri nas aulas de dança. Era a única música que conseguia ouvir depois de o meu pai morrer. Não tocou outra coisa cá em casa durante seis meses.

Pois o nível de conexão que o som do piano me permite, a paz que me traz, vai além do explicável, vivência pura, transcendência indubitável.

Não precisa de voz nem de orquestra, só o som do piano, tocado com delicadeza, me basta.

Ainda em relação ao filme, e além de tudo, inclusive das interpretações dos três atores, da escolha dos mesmos, poderiam bem ser a mesma pessoa, de tão de certa forma parecidos, dos pianos lindos…

Se tens uma paixão, tens tudo.

Paixão que é por definição obsessiva que não te destrói, não te ilude, apenas te eleva…

E, pelo menos a grande maioria de nós, não tem motivos para queixas. É o que me leva a concluir a cena final. E o que me comoveu verdadeiramente.

A existência pode dar-nos cabo do juízo, mas uma paixão talvez nos distraia dele.

E se há coisa para a qual tenho uma preguiça imensa é para o uso da palavra superação a propósito de tudo e de nada. Vai além da vaidade, do ego, da resiliência, é de transcendência que falamos aqui.

João Carlos Martins é um exemplo e uma inspiração. E a paixão, tal como o amor, se bem direcionada, move montanhas e desertos. Lagos e vales. Até mares…

Filme sublime

Ainda por cima, do meu argumentista brasileiro preferido. Luiz Bolognesi, com quem cheguei a fazer uma Master Class de adaptação de roteiro, em São Paulo. Um querido e muy talentoso argumentista.

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