Paixão e amor

24/10/2018

Amar é encarar o outro da maneira real, simples, como o ser humano que de fato é. Amar nada tem de ilusório; é ver o indivíduo, vê-lo mas não através de um determinado papel ou imagem que tenhamos planejado para ele. É dar valor à individualidade daquela pessoa, dentro do contexto do mundo comum. 

Apaixonar-se pertence a deuses e deusas, está muito além do tempo-espaço. De repente, vê-se no ser amado um deus ou uma deusa e através dele, ou dela, vislumbra-se um estado além do pessoal. São sensações explosivas e inflamadas, uma verdadeira loucura divina. Cada um deles (dos indivíduos do casal apaixonado) está apaixonado por uma ideia, uma imagem, um ideal ou ainda uma emoção.

Estão apaixonados pelo amor.

Mas tem uma coisa no estar apaixonado, é que não dura. A virtude transpessoal e divina apaga-se e surge o ser simples e comum.  

Parece que a única forma de as pessoas comuns serem atingidas pelos deuses, nos nossos dias, é por intermédio do romance. Apaixonar-se é a experiência de olhar através daquela pessoa em particular e ver o deus ou a deusa que está nela.

No instante em que alguém se apaixona é bom que saiba que o ser amado é encarado como um ser absolutamente único e, por conseguinte, inatingível. Aí se dá conta da distância, da separação e da dificuldade de relacionamento. Também pode advir um terrível sentimento de inferioridade, tanto no homem como na mulher, quando descobrem que seu companheiro é um deus ou uma deusa. Solidão e isolamento se seguem.  

Excertos do livro She, de Robert A. Johnson, versão brasileira.

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