Poder: 2 faces, mesma moeda.

02/11/2018

Os governos, patriarcais, mais à direita, e matriarcais, mais à esquerda, têm o mesmo objetivo: poder. Nos matriarcais, acresce o controlo da população para obtenção de votos.

Os governos mais à direita procuram poder pela ordem, a opressão, a aplicação estrita das leis, sem as nuances inerentes à vida. Sem paternalismo. Nos casos extremos, pela tirania.  

Os mais à esquerda, pela infantilização.

Se eu permaneço infantilizada, e não quero sair desse estádio, é natural que vote num governo que me garante o Rendimento Mínimo Garantido, em Portugal, ou a Bolsa tudo e mais uma coisa, no Brasil, que deu a Lula a popularidade que se conhece, nomeadamente a de que tirou o Brasil da pobreza.

Não só se controla uma vasta parte da população, e isto é bem mais gritante no Brasil, mas também aqui, nomeadamente nos Açores, como se impede que cresça, que desenvolva recursos próprios que lhe permitam autonomia. Se grande parte dessa população permanecer analfabeta, então o controlo é praticamente absoluto. O acesso à informação e ao conhecimento é limitado, e o resto da história a gente já conhece. Ninguém pensa por si. Delega todas as decisões sobre a sua vida no Governo.

Que dá o peixe, em vez de ensinar a pescar.

E é impressionante como tanta gente é atraída para esta forma de pensar, elegendo quem promete fazê-lo. Sob a bandeira da proteção dos mais frágeis. E que não entende que também essa é uma forma de controlo, sob a bandeira da solidariedade.

No entanto, até um adolescente rebelde precisa da orientação paterna para não se perder na vida. Esta orientação, perante perda de controlo e rebeldia, vira autoritarismo. Que tem a sua expressão máxima no militarismo.

Há um momento em que a população se farta de ver o seu dinheiro voar sem saber para onde. Piora quando percebe que afinal não foi para ajudar os pobres, mas para encher os bolsos dos que se diziam amigos do povo e lhe iam resolver os problemas. A traição política ao seu próprio povo causa, naturalmente, a revolta do mesmo.

Como se pôde ver nas últimas eleições no Brasil

A “esquerda”, não sei em que momento da História isto aconteceu, vem-se apropriando indevidamente de valores humanistas, que são de todos. Num sistema que manipula populações inteiras para que se associem a partidos. Que mais não são do que uma forma de controlar populações pelos ideais dos quais se apropriaram. Criando uma falsa guerra entre esquerda x direita, bons e maus. Que não passa de um joguete político para entreter o povo. Que, enquanto se digladia na arena contra familiares e amigos, e desconhecidos, a alienação chega a este ponto graças ao advento da Internet, as costas da classe política folgam.

O João Pereira Coutinho falava mais ou menos isso no seu último artigo na Folha de SP.

Posto isto, podem continuar a discutir com base nos termos esquerda e direita. E a odiar quem pensa diferente, vê as coisas de um modo diferente, que não irão para lado algum. Apenas permanecem iludidos como pessoas do bem, contra os fascistas e insensíveis do mal.

Segue citação:

Por elitismo, entenda-se: o desprezo com que elites políticas e culturais passaram a olhar para os eleitores. O povo fede, o povo é boçal, o povo não sabe o que quer e deve ser educado — ou ignorado.

No fundo, o elitismo reproduz, em contexto democrático, uma espécie de despotismo iluminado. São as elites que governam porque só elas têm acesso privilegiado à Verdade e ao Bem.

Essa arrogância suicidária despertou o seu inimigo populista. Mas o populismo é uma reação ao fechamento cognitivo das elites, invertendo as premissas do jogo com igual primitivismo: agora, são as elites que fedem e é o povo que detém a verdadeira iluminação.

Sim, a vontade popular deve ser escutada e respeitada — mas a democracia necessita de instituições independentes onde o conhecimento e a prudência valem mais do que os caprichos da turba.

Sim, não é tolerável que uma minoria imponha à maioria um código moral uniforme. Mas a proposição inversa é igualmente verdadeira: “viver e deixar viver” é condição primeira de civilidade.

A democracia liberal nunca teve vida fácil. Porque a democracia liberal, ou as virtudes em que ela se assenta, não casa bem com a pulsão dominadora que existe no macaco humano.

A democracia liberal exige sacrifício do nosso egoísmo, compromisso com os adversários e uma lentidão processual —na discussão e na deliberação— que um tempo acelerado não tolera. O macaco humano quer respostas simples, certezas absolutas e a destruição de quem não pensa como ele.

Se você é um democrata liberal, esteja preparado: o seu destino é nunca ser compreendido por quem prefere habitar um dos extremos do debate.

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