Preguiça

14/11/2017

Ando com preguiça de correr. Só de pensar nos bofes de fora, aninho-me mais um bocadinho e continuo a ler. Mas faz-me falta. O movimento físico e a conexão. Que não tenho sentido. Aquela coisa maravilhosa que acontece quando vamos além do cansaço, da respiração entrecortada, da dor muscular e atingimos aquele estado de plenitude e de conexão com o todo. Há imenso tempo que não sinto. E ainda que me sinta melhor sempre que acabo de correr, as endorfinas são levadas do diabo, anda a ser-me mais fácil ficar do que ir.

Ontem resolvi voltar a caminhar.

E a correr se me apetecesse. Mas basicamente a caminhar. Quase a trote, é certo. Se vou na missão exercício dificilmente consigo ir devagar. E adorei. Quando mais caminhava, melhor me sentia. caminhar

O dia estava lindo, ninguém no paredão, um silêncio apenas interrompido pelo barulho das ondas, tirei um dos auriculares e tudo, de tanto que aquele som me acalma, as praias vazias e eu a pensar que do que tinha mesmo saudades era de voltar pela beira mar e molhar os pés. Foi o que fiz.

E soube-me pela vida

Apercebi-me de que do que sinto falta é da conexão e que ali, naquele momento, tive-a. Os pés na areia dura, os músculos das coxas a dar sinais, exatamente no sítio onde não consigo chegar com a corrida, o friozinho do outono no corpo, as cores, a luz.

A sensação de que faço parte de tudo aquilo, que me insiro perfeitamente na paisagem e que tudo ali é um bocadinho meu.

Que se lixe a corrida.

Se posso caminhar todos os dias por prazer em vez de correr em espírito de missão, só à espera que acabe.

Todos os indicadores de que algo precisa de mudar por já não fazer efeito são válidos e a preguiça é um indicador tão bom como outro qualquer.

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