Quem nunca ouviu um coração bater, não sabe o que é viver.

03/03/2019

Das experiências mais mágicas que já vivi, ouvir, de perto, encostadinha a ele, um coração bater é talvez das mais extasiantes e generosas que me permiti.

Todas as manifestações de vida me comovem

E não posso agradecer mais ao João ter-mo permitido. Por isso, a cada sugestão minimamente parecida, procuro-o para dançar. Só para o ouvir mais uma vez.

Foi o que aconteceu na semana passada.

Nós queremos repetir experiências extasiantes, e eu procurei fazê-lo. Mas o movimento da dança não mo permitiu. A dinâmica dos dois, que foi absolutamente mágica, não caminhou por aí. Até que, no abraço final, os nossos corações bateram juntos, ao mesmo ritmo, e aquela dança não poderia ter terminado da melhor forma.

Já dava por mim satisfeita.

Até ter experimentado respirar ao mesmo tempo que a Maria… O ar a vir do mesmo lugar, da barriga, o tempo da inspiração ser o mesmo, o da expiração também. Cada vez mais profundas, cada vez mais conectadas, cada vez mais sincrónicas.

A magia voltou a acontecer

E eu, que valorizo o intelecto mais do que qualquer coisa, rendi-me, por completo, à vida que pulsa nos nossos corações e ao ar que nos entra e sai dos pulmões.

E eu, que já o senti numa gaiola, de porta aberta, sem condição de o deixar sair, porque o Silvestre estava lá em baixo, com um ar muito ameaçador, deixando que o medo me toldasse a razão, que me ajudaria a lembrar-me que ele não tem como me apanhar se eu sair a voar, deixava-me ficar.

Não admira que à Biodanza também se chame dança da vida…

Agora, que nem consigo mais fechar-me, por ser tão grande que a gaiola torácica já não lhe chega, dou por mim a lembrar-me que, afinal, sem intelecto, por mais que nos custe aceitar e lidar, vivemos uma vida inteira. Sem coração, sem ar para respirar, não.

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