Reforma e filhos*

17/07/2017

Na reforma temos dinheiro, todo o tempo do mundo para fazermos o que nos apetece, e ainda assim sentimo-nos vazios. Quando os filhos vão à vida deles, ficamos com todo o tempo do mundo para curtir, a nossa vida e o nosso consorte, e ainda assim ficamos deprimidos.propósito

A função que desempenhamos e que faz que contribuamos ativamente para a comunidade acaba, e com ela o nosso valor, que associamos ao papel social que representamos e que muitas vezes se prende exclusivamente com a nossa profissão.

Ou função biológica.

A obrigação, o encargo, a responsabilidade por um ou mais seres humanos que gerámos e pusemos no mundo acaba quando estes arranjam a vida deles, os filhos deles, os seus trabalhos, as suas funções, as suas responsabilidades.

Falta propósito

Mesmo que haja dinheiro para prazeres como viajar, comer e beber, ler e ouvir música. Ou que até descubramos o que nos faz vibrar, o que viemos cá fazer e que contributo queremos deixar.

Falta com quem partilhar

Quem lhe dê o devido valor, o receba, o queira de verdade, quem dele se nutra, de forma significativa. Alimentando-lhe a alma. E não o ego, por um caprichozinho qualquer.

Não é o excesso de oferta, isso cansa, é até desprezado, o consumidor final acha-se poderoso, quem decide a vida de quem cria, constrói, concebe. Há tanta coisa que vou dar-me ao luxo de nem me dar ao trabalho de me esforçar por ter, por procurar, é tudo dado, e consequentemente tudo exigido sem qualquer contrapartida, nada tem verdadeiro valor.

É qualidade da mesma. E que seja direcionada para o receptor certo, quem busca verdadeiramente, quem sabe exatamente o que quer, mesmo que não saiba como, onde ou quando.

Há uma sensação ilusória de poder e controlo na escolha. Com tanta oferta, posso escolher o que melhor de adapta, mais me faz sentido.

É o ponto de partida que está desajustado

A base não é a oferta, é a pergunta, a dúvida, a questão, o que se busca, se quer. Para depois poder partir para a jornada que levará ao tesouro. E mente aberta. Para que outras vozes possam surgir e ser ouvidas. Vozes que sabem mais e melhor do que a consciência o que queremos, onde queremos chegar.

É o desejo da alma e não a carência do ego.

É a responsabilização em vez da vitimização e da impotência.

O eu em vez do eles, do tu.

*Como não tenho nem uma nem outros, sinto-me absolutamente preparada para falar sobre ambos.

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