A saudade, essa puta.

24/08/2016

A saudade é uma puta que te apanha desprevenido e, sorrateira, aproveita todas as brechas. Entra-te pela cabeça e esconde-se nos recantos mais escuros para te surpreender quando menos esperas. Te consola e te ilude, te machuca e te fere, quase te mata. Te faz rir às gargalhadas e chorar às convulsões. Que ali fica, a olhar para ti, certa de que te venceu, de que vais render-te, pedir misericórdia, perdão. A saudade é uma puta, que te atira para o chão, te deixa estendido, prostrado, inerte, letárgico. A saudade é um direto nos queixos, um entorpecente muscular, um pontapé nos rins, um mace nos olhos. A saudade é matreira, cobarde, desigual. A guerra contra a saudade é uma batalha perdida, a saudade ganha sempre, essa puta.

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