O sentimento é soberano

28/11/2017

Da mesma maneira que nos desconectámos das nossas raízes, do que nos é primordial, por conta da sobrevalorização do intelecto, o mesmo aconteceu com o instinto, a emoção e até o sentimento.

Mesmo que o amor esteja na moda… Mais enquanto ideia do que em consciência.

Nem vou pela dúvida: será coisa da minha cabeça? E mesmo considerando a hipótese altamente provável de projeção. Jamais descurável. Do desejo sublimado que nos apanha na curva e deita a razão por terra com um KO. Falo da dinâmica que alimenta o ego e a persona, as necessidades infantis, da que repete o trauma e o revisita, para que o complexo se resolva. sentimento

Falo da contradição e da contrariedade. De nada fazer sentido, afinal. Já que não se coaduna com a lista de atributos, de condições e condicionantes. E ainda assim, por necessidade imperiosa da alma, fica difícil resistir. Mesmo sabendo de antemão que não vai dar certo. E não se trata de auto-boicote, é evidente demais. Não vai dar certo. Mas a gente convence-se que sim, que com um jeitinho aqui e ali, tudo se resolve. Apenas por conta das necessidades infantis aparentemente satisfeitas. Seja como for, dure a esquizofrenia o quanto durar…

O sentimento é soberano

O sentimento que nos leva e a sensação que fica, o que irrompe irrefletidamente depois do adeus, a emoção que permanece escondida num cantinho do coração, o vazio imenso, a necessidade que, afinal, não foi preenchida. Nunca foi, apenas uma promessa vã, em palavras proferidas com a leviandade do descompromisso, da desintimidade, do desejo.

Mas dizem que a falar é que a gente se entende. E a gente tenta. Uma, duas, vinte vezes. A toda a hora o discurso se repete, o mesmo, de todas as formas, em todos os tons. Virados do avesso. Criativos na forma, no conteúdo, no tema.

E os olhos baixos, a apatia, a inação a dar todos os sinais de que o sentimento é soberano. Que o intelecto, o verbo, de pouco valem se as ações não correspondem. E o vazio fica, dando espaço para que a dúvida se instale, a necessidade de pôr termo à tormenta torna-se imperiosa, a emoção que perdura e o sentimento que é soberano. Independentemente da necessidade infantil gritar desesperadamente, e conseguir levar a sua avante por um tempo que parece sempre demais.

O corpo, esse, mente menos ainda. Nunca. Nunca se engana, nunca é só impressão. É quem dá os sinais quando a cabeça se cansou de tentar. E mesmo que esta invente todo o tipo de manigâncias para continuar a alimentar apenas um dos que lá moram. Por ser uma necessidade da alma, diz o Thomas Moore. Eu diria psíquica, a tal que pressupõe um propósito maior e a aventura para a qual estamos preparados, apesar da falta de ar, do sufoco, do buraco sem fundo que fica, do desamparo e do amargo da dor.

Enraizamento

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