Sláinte

07/11/2019
Viajamos por motivos diferentes. E com objetivos diversos. O que procuramos e/ou esperamos nas viagens é muito pessoal.
Eu não viajo para comer.
Gastam-se fortunas e perde-se imenso tempo. Também o que investimos e onde depende de prioridades individuais.
 
Não como qualquer coisa, já não tenho idade nem físico para isso, mas também não faço grande questão de comer os pratos típicos locais só porque sim. Nem preciso de fazer refeições pesadas todos os dias. Aliás, nesta provecta idade em que me encontro, com mais um ano do que quando saí daí, já nem consigo jantar sem me sentir uma jibóia depois.
 
Garanto a minha dose de proteína, fruta e vegetais diária e não me preocupo mais com o assunto. Daí que os haggies, os borregos, os carneiros e o diabo, deixo para os escoceses.
Agora… o salmão com cream cheese…
Meu Deus… alambazo-me sempre e o mais que posso. Parece uma sobremesa…

 Por falar em sobremesa, e como ando a evitar açúcar, tenho resistido a adquirir todos os Cadbury’s que me aparecem à frente. Há de haver poucos chocolates que me confortem tanto quanto estes. 
E são muitos. E tão diferentes…
Mas há um doce escocês que, qual diabo, me tem tentado com alguma frequência. É um short cake de caramelo, com uma camada dura de chocolate belga por cima, que é de babar, literalmente… agora deu-me para gostar de coisas de caramelo… Tudo começou com caramelo salgado, que, estou convencida, é coisa do próprio demónio. Podia dar-me pra gostar de brócolos, mas não. Caramelo, direto nas coxas…
 
Por fim, descobri finalmente uma cerveja que me agrada por completo. Por não ser amarga, ter um gosto delicioso e me alimentar a alma e o espírito.
Ale (lê-se ail)
Já tinha ouvido falar, claro, em outlander, serie e livro, e perguntava-me como é que eles se punham a beber copos logo de manhã, que aquilo não havia de lhes fazer muito bem à saúde…
 
Quando perguntei ao Kev o que era afinal ale, e obviamente antes de provar, ele confirmou que era cerveja, sim, tipo guiness, que acho um pouco pesada demais. E, com a graça do costume, disse: eu bebo duas ou três e sinto que posso conquistar o mundo. Fazer o que quiser. Não sei se porque me preenche tanto, me nutre, a esta hora, já estava a rir-me às gargalhadas, se do efeito.
 
Depois de ter provado, e gostado tanto que bebi duas half pints de seguida, o tamanho das cervejas aqui é tão grande que tenho sempre de me lembrar de pedir meia pint, ando a reconsiderar a minha vida.
Tenho evitado o álcool, por variados motivos.
Mas depois de duas ale também senti que o mundo ganhou várias e novas cores, até. Tornou-se num lugar melhor, mais luminoso e quase habitável. Também senti um conforto interno enorme. Um aconchego na alma.
 
É muito melhor do que a lagger, apesar da escocesa também ser boa. E mais fraquinha do que o whiskey.
 
No dia seguinte, o meu lábio que só estoura quando abuso do fígado, acusou as duas ale e está aqui com um altinho. Está mal habituado. O que é bom.
 
Seja como for, estas duas já ninguém mas tira. Talvez tenha de beber uma por dia, a ver se deixa de ser menino e se porta como deve ser. Afinal, tenho uma tradição familiar e cultural a manter…
 
Sláinte

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