Sobre a poesia

13/11/2019

Quando fui para o Brasil, ao fim de 2 ou 3 meses, uma amiga disse:

é impressionante como a tua escrita está diferente.

Precisamos então de nos distanciar para descobrir a nossa identidade fora dos nossos inconscientes coletivos nacionais e familiares.

Terras Altas, Escócia 2019

Para com eles podermos fazer as pazes, reunindo-os ao resto da identidade.

Para sabermos quem somos e assim podermos permitir-nos perder o medo do ridículo e conseguir expressar emoção, vulnerabilidade.

Em vez de puras racionalizações.

As racionalizações protegem as emoções vulnerabilizam. Mas tornam-me real, humana, apaixonada, emocionada, visceral.

Sem medo da exposição, do ridículo ou da crítica.

No dia em que escrevi isto, leio, pela pena do JPC, por quem nutro o maior apreço, o seguinte:

E, já agora, a receber o imponderável, a aceitar o acaso da vida sem se refugiar no velho castelo do cinismo, do privilégio e da misantropia.   

Foi em SP que escrevi quase todo o Message in a Bottle, que, ainda que com algumas racionalizações, muitas, na verdade, tem lá toda a minha alma. O meu sangue, algumas das minhas lágrimas. A fonte é inesgotável…

E muita poesia…

Depois de não escrever nada de jeito há séculos, e de aqui não parar de o fazer, embora a falta de leitura de literatura portuguesa me deixe enferrujada quanto ao vocabulário. Parece que me faltam os sinónimos todos e que só conheço 100 palavras. Agora, a tomar banho, talvez tenha descoberto o que vim aqui fazer.

Perder o medo da exposição, da vulnerabilidade.

Para assim poder soltar o verbo.

O que faltava para projetos literários futuros. Encontrado nas Terras Altas, na Escócia.

Terra de bravos e orgulhosos guerreiros.

Bem humorados e apaixonados.

A Escócia está pejada de poesia. A beleza em cada detalhe. É sempre esta que me inspira. A beleza poética.

Algo aconteceu nas Terras Altas

O corpo não mente. A cabeça é que ilude…

Talvez tenha sido isso que vim resgatar aqui. E o choro, a libertação das amarras que me prendiam ao intelecto.

A rendição ao feminino, finalmente…
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