Subserviência e co-dependência

20/12/2018

Foi tema do Governo Sombra e é um problema crónico português, esta coisa da subserviência associada à co-dependência. Na semana passada parece que uma ministra disse ao presidente chinês, cuja visita obrigou os moradores em volta do Ritz a identificarem-se e eventualmente a serem revistados ao entrar nas suas casas, use-nos como cobaias.

Continua a ser motivo de orgulho o facto de sermos mão de obra barata. Desde que sejam os outros, claro.

E de estarmos dispostos a tudo, desde que o cliente fique satisfeito.

E que a gente se encha à conta do desgraçado que precisa de trabalhar. 

Acontece nas melhores famílias, tratarmos os nossos pior do que tratamos as visitas. Como se tivéssemos uma garantia emocional de que está tudo assegurado. Não está… Como se a família fosse instituição com permissão para tudo. Não é…

Nas empresas é igual, explorarmos quem para nós trabalha e faz que o serviço funcione, enquanto o suposto cliente, com problemas sérios pessoais para resolver, acha que pode tudo só porque paga. Desumano para ambos os lados.

Instalou-se a moda americana de fazer atividades de fim-de-semana nas empresas e o diabo a quatro. Como se já não bastasse controlarem-nos metade do dia, entre oito horas de trabalho, mais uma de almoço, e transportes. Como se nos pagassem o suficiente para isso. Não pagam.

A alma não tem preço, não está à venda.

Tudo em prol do controlo de dezenas, centenas de vidas, que beneficiariam muito mais se esse dinheiro gasto em festas de Natal, em atividades de fim-de-semana, fosse adicionado aos salários das pessoas. Se a carga horária fosse menor. Está mais do que provado que somos mais eficazes se trabalharmos menos horas, o tempo em que trabalhamos é 100% aproveitado porque há coisas para fazer e que têm de ser feitas. Tempo esse que pode ser dedicado a outras coisas igualmente importantes para as pessoas, para que não sintam o tempo todo que estão a falhar em todas as outras áreas da sua vida. Familiar, amorosa, até de laser.   

1 milhão de trabalhadores precários em Portugal. País de primeiro mundo, diz-se. Não estamos, em 2018, tão longe das empregadas fabris de outros tempos…

Mas o que interessa é quanto uma empresa fatura. E o facto de ser multinacional. À custa de quem? Meros detalhes… 

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