Temas arquetípicos do feminino

19/05/2019
Também temos então temas arquetípicos diferentes:

O do masculino é a relação com o pai. A repetição ou não da história de Urano, Cronos e Zeus. O cinema reproduz o mesmo tema arquetípico, todos os filmes com protagonistas masculinos têm uma questão com o pai. Ou falam dela… Hierarquia, autoridade, sigo-lhe os passos ou faço o meu próprio caminho? E se escolher o meu caminho, ele aprovará e gostará de mim? Enfrento-o? Envergonho-o?

O do feminino é a relação.

São séculos de patriarcado a proteger o ego masculino e as mulheres não fogem a essa regra. Pois fazem o que for preciso para manter a relação. É esse o tema arquetípico delas.

Mesmo as mulheres com arquétipos das deusas virgens, que não precisam de um relacionamento para se sentirem realizadas (Héstia, Atena e Artémis), quando estão num relacionamento é frequente aparecer outro arquétipo, de deusa vulnerável (Perséfone, Deméter e Hera), que precisa do relacionamento para se sentir realizada, precisamente para manter esse relacionamento, pois é esse o seu tema existencial, arquetípico. E nenhuma deusa virgem sustenta sozinha um relacionamento… Por isso muitos homens reclamam das mulheres depois de casar, acham que elas mudam e que aquela não foi a mulher com quem casaram. Foi, tem é outro arquétipo ativado.

Já que falamos de identidade e de masculino e feminino, e de arquétipos de ambos, então se calhar o melhor é começar pelo princípio…

Pelo arquétipo materno e paterno

Na mitologia, temos três tipos de pais arquetípicos: Zeus, Poseidon e Hades. E dois tipos de mãe: Hera e Deméter.

Psiquicamente, o arquétipo tem uma trajetória, ou uma de três opções, caminhos, já que a consciência tende a ser polarizada.

Pai – Arquétipo

Passivo (Hades) /Emocionalmente distante (Zeus) ———— Orientador (integrado) ————- Autoritário (agressivo, violento, descontrolado, prepotente (Poseidon).

Um arquétipo paterno integrado é orientador e disciplinador, mas com Eros, não autoritário.

Mãe – Arquétipo

Passiva, cuidadora, mãezona, codependente, ninho vazio (Deméter-mãe boa) ———– Nutridora, (integrado) ——— Autoritária, invejosa, poder, rigidez (Hera – mãe bruxa; madrasta).

Um arquétipo materno integrado é nutridor, afetuoso, carinhoso, incentivador. Responsabiliza o filho, prepara-o para o mundo, mas apoia-o e deixa-o tomar as suas próprias decisões.

Quando se diz que alguém tem um complexo materno ou paterno a pessoa encontra-se numa das polaridades do arquétipo, matriarcal ou patriarcal.

Porque até determinada idade aceita-se que a culpa é dos pais. Depois disso não, a nossa vida é da nossa responsabilidade, independentemente do que fizeram connosco.

Nós construímos um pai e uma mãe internos com base nas figuras dos nossos, em princípio, mas a forma como eles se desenvolvem na nossa psique, e no tipo de pai ou mãe internos em que se transformam, é outra história, que inclusive pode ser a inversa da vivida.

Filho de pai passivo torna-se autoritário.

(Cont.)

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