Tipo J

12/11/2019

O que me faz impressão nos tipo J é o pouco espaço de manobra, de versatilidade, de abertura ao surpreendente e ao inesperado.

Todos os espaços em branco ou vazios da estrutura do dia e da noite estão preenchidos com atividades diversas e interesses vários, com o maior e mais disperso número de pessoas possível.

Não é nem o espaço para a intimidade

que precisa de ser construído e para tal é preciso tempo. De quietude e de contemplação, para que os vazios verbais possam instalar-se e o espaço para a vulnerabilidade e por conseguinte a intimidade se abra.

É o espaço para a surpresa, para o que a vida nos reserva e a gente não controla. O que está à nossa espera. Não porque o ego assim o demanda, mas porque o Self assim o impera.

Não o caos sem norte que é muitas vezes a vida de um P.

A sociedade patriarcal da ordem, das rotinas e das hierarquias não o permite. Se não formos trabalhadores por conta própria e possamos gerir os nossos horários. E mesmo esses aprendem rápido que têm de manter uma rotina por forma a cumprir prazos. Pôr o cérebro para funcionar todos os dias à mesma hora, para que este se habitue e o faça naturalmente.

Sem precisar de comando específico.

Podemos não ter horários, mas o resto do mundo continua a funcionar no horário comercial. E nós, embora possamos escolher as horas do dia que mais e melhor nos servem para trabalhar, há prazos que temos de cumprir. Lugares onde precisamos de estar. E esses são ditados pelo coletivo patriarcal, da ordem e da segurança. Das 9 às 5. Se todos trabalhássemos 35 horas por semana, e não 40, que é um exagero, uma estupidez e contraproducente.

Não é isso.

E eu entendo a necessidade de controlar o tempo para que não nos controlem a vida. E o medo da dispersão. Entendo tudo isso.

Mas faz-me confusão.

E por mais patriarcal que seja a minha estrutura, e que não combine muita coisa com muita gente, é verdade, o sábado, por exemplo, é meu. É o dia que escolhi para mim. E é nesse dia que decido o que fazer. Na verdade, é nessa hora, nesse minuto, às vezes. E, se não fizer, são coisas minhas que não faço, não porque combinei com outra pessoa. Este sábado, por exemplo, foi super produtivo. Os últimos antes da viagem, todos praticamente a vegetar em frente a séries e filmes. O sábado é meu, eu faço o que quiser dele.

E até hoje ainda estou para entender o sentido da frase: aproveitar a vida.

Esse aproveitar a vida parece satisfazer, como é costume, apenas os extrovertidos, que precisam de estar em movimento permanente. Nós, os introvertidos, conseguimos passar horas sem fim quietos, a ler. Só nos mexemos para mudar de posição. Isto, para nós, é, não aproveitar o tempo, mas gozá-lo. Cada segundo…

O mundo coletivo é extrovertido e portanto só está bem em movimento.

A culpa que alguns introvertidos sentem de não aproveitar o tempo é porque esse é um conceito de extrovertido para extrovertidos, que se encaixa no coletivo e por isso parece real e obrigatório. No entanto, não serve os introvertidos. É, aliás, um martírio.

O tempo para si mesmos é para segurança do outro.

Que é uma frase de que gosto muito, sobre os introvertidos e o tempo que precisam para si, sem ninguém a interferir muito menos a interromper.

A atividade é tanta que qualquer barulho extremo ou estridente é coisa para me deixar doente… E com um mau humor insuportável, até para mim…

Como de costume, misturo 5 ideias num texto só.

Seja como for, o que me aflige nos tipo J é a falta de espontaneidade… E de deixar que a vida os surpreenda. Porque vê a imagem de cima, e não o ponto à frente do nariz.

É isso

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