Tristão e Isolda – o amor romântico e a espiritualidade*

18/01/2019

O amor romântico tem estado sempre indissociavelmente ligado à aspiração espiritual. É tão óbvio que parece desnecessário dizê-lo. Ainda assim, todos nós desviamos o olhar e perdemos o óbvio.

É uma verdade demasiado próxima para que a consigamos ver.

Apenas precisamos de olhar para as histórias de amor, a poesia, as músicas que vêm do Romantismo, e percebemos que o homem apaixonado fez da mulher um símbolo de algo universal, algo íntimo, eterno e transcendente. O que ele vê na mulher fá-lo sentir que finalmente se percebeu, que vê todo o sentido da vida. Vê uma realidade especial revelada nela, sente-se completo, enobrecido, aperfeiçoado, espiritualizado, elevado, transformado num homem novo, melhor, completo.

Os grandes poetas românticos não o escondem, proclamam-no.

Os trovadores e os cavaleiros de Tristão proclamaram-no abertamente. Ao contrário de nós, que nos achamos tão sofisticados, eles tinham plena consciência do que procuravam no amor romântico. Optaram por deixar de ver a mulher como mulher e em vez disso fizeram dela um símbolo do eterno feminino, da alma, do amor divino, da nobreza espiritual, da completude.

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

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