Um introvertido e um extrovertido entram num bar…

20/04/2018

À partida, a relação entre um introvertido e um extrovertido tem tudo para dar certo. Não por oposição, mas por compensação. Um extrovertido, normalmente, fala muito, o que poupa o introvertido, mais atreito a ouvir, de falar sobre si, coisa que, aliás, acha ótimo. 

Se o introvertido for um INFP, com tendência a ver o melhor das pessoas e a possibilidade em cada experiência, o extrovertido está, em princípio, nas 7 quintas. Para um introvertido, a experiência com o outro só existe quando é verdadeiramente boa. Os introvertidos estão e ficam lindamente consigo mesmos. Quando se dão ao trabalho de se relacionar é porque, de alguma forma, a experiência promete ser significativa. E vão manifestá-lo.

Introvertidos com intimidade entre si, principalmente se forem mulheres, em princípio, não se calam, só para se ouvirem. O que é estranho para um extrovertido, que dificilmente consegue ouvir alguém sem estar distraído com uma coisa qualquer.

Introvertidos são focados, extrovertidos tendem a ser dispersos.

Se a interação entre introvertidos implicar um homem e uma mulher, que, de preferência, se querem embrulhar, a coisa pia mais fino. A minha intuição extrovertida leva-me a falar desalmadamente, temendo silêncios constrangedores, de falta de assunto, afinidade e consequente intimidade. Nada pode ser pior para um INFP. Mas os homens, que tendem a falar menos do que as mulheres, à partida, não se importam com a minha incontinência verbal. É-me mais desconfortável do que a eles. Que, sendo introvertidos, estão tranquilos. Também por saberem intuitivamente que, quando quiserem falar, vão ter quem os há de ouvir. Com atenção total. Pois tudo o que [um INFP] quer é entrar no mundo do outro, que abra essa porta, confie o suficiente, para que a magia se dê…

Voltando ao bar e à dupla: introvertido-extrovertido

IntrovertidoA questão põe-se sempre na forma de comunicar. Principalmente quando chega a vez do introvertido se expressar. E não tem a ver com o barulho, a música alta, o excesso de proximidade entre desconhecidos. As interrupções permanentes da empregada. Se a companhia for boa, um introvertido tem a capacidade incrível de não ver mais ninguém, de mais ninguém existir, de tudo em volta ficar desfocado.

Tem olhos apenas para o interlocutor

E é precisamente o que exaspera um introvertido, que se limita a encolher os ombros, a baixar a cabeça e a ficar na sua. Até se cansar de tentar e seguir com a vida. A atenção dividida. A não concentração. A sensação de não estar a ser ouvido, considerado, desejado, até. A irrelevância. O descaso. A falta de interesse.

É como quem nos mata…

É-nos difícil falar, confiar, partilhar intimidades, vulnerabilizar. Para um INFP, que têm uma sensibilidade exacerbadíssima, é ainda mais difícil abrir mão do mundo interno e partilhá-lo com o outro. O nosso mundo interno é o que temos de mais precioso. É o que nos salva da selva que é o mundo real. Quando alguém tem a sorte e o privilégio de ser convidado a entrar nesse mundo maravilhoso que é a nossa cabeça, o mínimo que se exige, se pede, um INFP é, antes de tudo, amante da liberdade, de cada um ser como é, é atenção, dedicação, consciência do que ali está a passar-se. E que é raro, raro…

*Aguardemos o contraditório, se a minha querida ENFP não se perder pelo caminho e mo mandar entretanto. Publicarei na próxima sexta, o dia do MBTI cá em casa.

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