É uma merda, mas é bom.

18/01/2018

Certa vez perguntaram ao Tom Jobim como era morar em Nova Iorque. Respondeu que era bom, mas era uma merda. E no Rio, no Brasil? É uma merda, mas é bom.

É mais ou menos como viver. E o sexo, que, mesmo quando é mau, é bom. A gente perde umas calorias, uns quilos, dá e recebe uns amassos, e tal.

E como as aulas de danza, que mesmo quando são menos boas, são boas.

Foi o que aconteceu comigo na última. Fui para um lugar onde não queria ter ido nem gosto de estar, o vazio, o nada do nada, onde estou completamente sozinha, no escuro, o pior lugar do mundo para se estar.

Tinha ido além de mim e tentado vários giros sufi. Para a esquerda, para a direita e de olhos fechados, porque gosto mesmo é da moca, da vertigem, de perder o controlo da cabeça. E, na sequência desses giros, entrei num transe que me levou para o primitivo de mim, o instintivo, o animal selvagem e sexual, daí a alusão.

Senti-me de certa forma poderosa, por ter sobrevivido à vertigem, à tontura, por não ter caído nem sucumbido. E aí veio a surpresa do nada, do vazio, da maior solidão de todas.

Foi uma merda, mas foi bom…

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