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Madness is a form of Lucidity

15/07/2014

Dizia a Von Franz no outro dia que era bom sermos loucos por um momento e dizermos à outra parte que mantém um relacionamento íntimo connosco (onde certas amizades e relações familiares se incluem) tudo o que nos vier à cabeça, o que pensamos dela e por aí vai. E que isso era um alívio enorme.

Depois pus-me a pensar na quantidade de gente que está sozinha, e são cada vez mais, por todos os motivos válidos deste mundo. E talvez o que não aguentemos num relacionamento íntimo não seja apenas a possibilidade de o outro nos magoar de morte, mas de nos revelarmos nesse processo, de nos descobrirmos não tão… quanto nos achávamos e tão mais… do que alguma vez pudemos supor.

A compatibilidade de neurose ajuda, o amor é fundamental, não me esqueço daquela cena no Before Midnight em que eles vão para um hotel para finalmente terem um tempo juntos e sem a presença da filha, que obriga sempre a uma certa contenção e cujos afazeres nos desviam de nós, se vêem com olhos de ver, sem a possibilidade de fugir, e começam a discutir, acabando por dizer as maiores barbaridades um ao outro. Atente-se para o facto de primeiro ter sido ela a gritar, ele ali a aguentar, e depois de ele ter começado a gritar foi a vez dela sair do complexo e de certa forma se acalmar. Se se fica só no ego, os estragos podem ser devastadores. Em algum momento alguém tem de sair do complexo e da razão e ser mais amoroso (feminino) genuinamente, e não com condescendência ou numa tentativa de manipular o outro, muito menos agressivo-passivo. Isso exaspera qualquer um. Mas o que ela não aguentou foi ver-se através dos olhos dele, não aguentou saber que ele sabia. O que os manteve juntos, pelo menos até ao final do filme, foi o amor que ele sentia por ela, apesar da sua piração (compatibilidade de neurose), amando-a assim mesmo, doidinha.

O que a loucura momentânea nos permite é que sejamos nós, por inteiro, sem persona nem ego em demasia. Para que nos conheçamos além da ilusão. Não pode é ser um modo de vida, muito menos de resolver as coisas, caso contrário é uma neurose em dupla. Deve ser usada em situações extremas e muito, mas mesmo muito pontualmente.

Há gente que nasceu para brigar, se não briga, parece que não está viva. Eu odeio e evito além do limite das minhas forças.

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