Livre

1K/1S/3M – Impasse

17/01/2017

Não pode dizer-se que tenha tido um comportamento exemplar. Batatas fritas avulsas e mais uma que outra coisinha deixaram tudo como estava, ou seja, na mesma. Sinto que chegámos a um impasse nas negociações. O que me chateia um bocado, principalmente por não baixar da barreira da vergonha.

Talvez em todos os desafios haja sub-metas. Marcos, pontos de conquista obrigatórios que nos impulsionam e motivam a continuar. A barreira da vergonha é um deles. E não há meio de o ver pelas costas.

Quando vi que estava tudo na mesma, e dado o impasse que se verificara no mês de dezembro, pensei até em mandar o plano para o alto e ficar-me por aqui. Comer os Milka de Morango que me aparecessem à frente, mandar vir um Toblerone & on & on & on da Austrália só para ver como é. E fumar sempre que me apetecer. Mas a mim, que faço questão de ser anormal em tudo, e paranormal noutro tanto, ter índices de gordura e massa da dita acima do normal chateia-me um bocado. É o que me diz a balança esquizofrénica da esquina. E não vou descansar enquanto tudo isto não baixar para níveis aceitáveis, sem necessariamente voltar a fumar. Ainda aqui estou para as curvas e o verão não tarda está aí.

impasse

Como é difícil beber água no inverno…

Ainda que me vão satisfazendo as pequenas conquistas, correr sempre abaixo dos 7 minutos por pm, chegando, no primeiro dia de janeiro, aos 5,40. E ontem, aos 6,06. Tem-me custado a corrida, como é costume nos inícios de mês, em que acrescento 5 minutos ao tempo que corria no mês anterior.

Mais uma vez chego à conclusão de que é por estar fixada no fim em vez de me entregar à atividade. Talvez seja uma forma subliminar de auto-boicote, o que é muito estúpido. Corro porque quero, por me dar imenso prazer, apesar de, mesmo sem querer, entrar em espírito de missão. O que ajuda, por me obrigar a ir, e talvez estrague tudo exatamente pelo mesmo motivo. Estabeleci que havia de correr três vezes por semana, porque me faz bem à cabeça e ao corpo, e porque me dá um prazer enorme, e fico ansiosa quando adio, só descansando quando já estou a arrancar o casaco, ao fim dos primeiros segundos de corrida. Faz-me falta ser assim com tudo o resto…

Nunca mais é Março…

Os primeiros cinco minutos custam sempre muito, precisamente por pensar no que ainda falta. Aos dez, já não falta tudo. E por aí vai. Não sei se é das preocupações, se de correr pouco, se do frio, mas nunca mais tive aquela sensação de me esquecer da vida. De furar a barreira do tempo e do espaço e entrar em modo conexão com o todo. E tenho umas saudades do caneco disso.

Entro nesse estado, Alfa ou assim, a dançar e a escrever, mas a correr nunca mais consegui. E, ainda que durante as três atividades esteja num estado elevado de consciência, todas elas me proporcionam sensações diferentes. Na corrida, há a vantagem da exaustão física, um duplo prazer. E de estar ao ar livre. E mais qualquer coisa que não consigo nomear.

Provavelmente só aos 5km, adoraria que fosse esta semana. Com as temperaturas a prometer descer vertiginosamente, e mínimas previstas de 1º para amanhã, só me apetece chorar, talvez não consiga. Ainda que tenho ideia de que é mais decisão mental do que outra coisa qualquer. Uma questão de apanhar o ego distraído…

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