1K/1S/3M – Santa Inocência

29/12/2016

Aqui que ninguém nos ouve, confesso que acho bonito, enternecedor, até, que mantenhamos uma certa inocência depois dos 40. É o caso. Na minha muito particular inocência, achei que passaria incólume ao Natal. Que correr no frio é a mesma coisa que correr no calor. E que quem bebe 1,5L de água/dia, bebe dois.

É impressionante como somos animais de hábitos. E cerebrais. Não me lembro do número exato, mas sei que levamos não sei quantos dias para fazermos de um comportamento um hábito. Custava-me acreditar que fossemos tão básicos, agora sei que é verdade.

Quando desabituamos o organismo do açúcar e voltamos a consumi-lo, em rabanadas, por exemplo, o corpo acusa o excesso, a invasão, o abuso. Com as quantidades funciona da mesma maneira.

Por uma vez, gostava que corpo e cabeça se alinhassem. E quando o corpo se manifestasse, a cabeça parasse. Não foi o caso. Não sei quanto foi o estrago, só na sexta verei a notícia na balança esquizofrénica da farmácia da esquina, que ora me rouba dois centímetros, ora mos devolve, um de cada vez.

A inocência de que basta querer

Na minha santa inocência achei que poderia facilmente saltar dos 20 para os 30 minutos e voltar a correr 5KM em Janeiro. Pelos piores motivos, lembro-me bem do inverno passado. Que me era muito difícil sair para caminhar por causa do frio. Passavam-se dias sem que o fizesse. Seguiu-se fevereiro, com a pior vivência da minha vida, um frio de rachar e nem me lembro quando voltei ao paredão. Se ainda caminhei se comecei logo a correr, há de ter sido em junho.

Descobri que custa muito, muito mais correr no frio, demoramos para desempenar. Por isso, resolvi fazer uma pequena alteração ao plano inicial. Saltar dos 20 para os 25 minutos em Janeiro. Em Fevereiro espero voltar a correr os 5KM, em meia hora. Como disse, não sei ainda os resultados de dezembro, da desgraça que se acometeu na minha vida na semana Natal-fim de ano, entre ferreros rochers e vinho tinto foi o descontrolo absoluto. Perdido por cem, perdido por mil. Agora só em 2017 voltarei ao plano, apesar de manter cuidados básicos. A alteração alarga-o a mais dois meses. Em vez dos iniciais três, arrematamos a coisa por quatro, o que dá tempo para diluir os quilos que faltam entre janeiro e fevereiro. Com a vantagem de perder mais calorias, porque correrei mais um km por vez.

A inocência de acreditar que querer é poder

Outra coisa que custa, parece impossível de acreditar e é até um bocado ridículo, é beber 2L de água por dia. Mesmo para quem bebia 1,5L religiosamente. A garrafinha de litro e meio ainda marcha, o jarro de 2L é que é o diabo. O que acaba inclusive por minar até o 1,5L inicial.

Durante todo o mês de dezembro, mantive a corrida três vezes por semana, 20 minutos por dia. Quando chove, vou no dia seguinte. Não tenho falhado uma, o que me enche de esperança para os dois meses que aí vêm. Acho sempre que vai faltar-me a coragem, porque está frio, preciso de acabar não sei quê, de ir não sei onde, mas acabo sempre por me render. Não sei o que me dá. Custa-me imenso, penso sempre: ainda falta tanto, mas nunca, nunca me arrependo. A sensação de estar desnuda em dezembro na praia dá-me sempre muito prazer. Na segunda-feira, quase entrei no mar…

De resto, é interessante analisar os níveis de voluntarismo entre homens e mulheres, masculino e feminino, melhor dizendo. Não que as mulheres sejam mais fracas quando se trata de cumprir promessas, levar objetivos adiante, manterem-se firmes na restrição. É por sermos mais vulneráveis às emoções. Este vídeo ilustra de forma simples e em dois minutos o que acontece connosco, o nosso corpo e a nossa cabeça um mês inteiro, todos os meses.

  • Tiago 29/12/2016 at 13:14

    Festas de fim de ano são impossíveis. Não tem como não se render.

    • Isa 29/12/2016 at 14:51

      é o diabo… :)

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