1K/1S/3M – O Ego

14/12/2016

A nossa cabeça, nomeadamente o ego, enquanto centro da consciência e com poder decisório em relação a tudo o que fazemos e não fazemos, pode ser o nosso maior amigo. Aliado com o nosso predador interno, torna-se o nosso maior sabotador.

Quando aumentei em cinco minutos o tempo de corrida no início do mês, comecei, ao fim dos 15 minutos a que estava habituada, a sentir um cansaço maior do que o normal, sendo acometida de uns enjoos estranhos e uma tontura avulsa. Houve uma das vezes em que me deitei ao sol numa pedra, para recuperar. Não chegou a preocupar, mas intrigou-me. Principalmente porque, na vez seguinte, apesar de a reação ter sido mais leve, o ligeiro enjoo continuou.

Não concebia voltar a parar de correr. Já tinha corrido 7km, não eram 3 que iam agora demover-me. Resolvi consultar o grande mestre em absolutamente todas as especialidades, Dr. Google. E descobri que uma das causas para os enjoos pode ser falta de sal.

No domingo, fui ao supermercado buscar frutos secos para fazer pão. Ao lado dos inócuos sem tempero, havia um veneno de que gosto particularmente: amendoins com sal e mel. Agarrei num pacote e trouxe-o, devorando-o de imediato quando cheguei a casa. Assim como assim, na minha cabeça, o estrago mental já estava feito.

Na segunda-feira, determinada a correr os 20 minutos a que me propus, saí de casa e resolvi abrandar o ritmo, achando que me ajudaria a manter-me firme nos meus propósitos. Acionei o RunKeeper, o temporizador e lá fui.

A aplicação vai dando notificações ao fim de cada 5 minutos e quando ouvi que, apesar de abrandar a velocidade, corria abaixo dos 7 minutos por km, continuei, com uma motivação e uma resistência diferentes das que tinha sentido na semana passada. Aos 15 minutos, estava a correr a 5,36 minutos por km o que me encheu de vigor e de força. Era a primeira vez que conseguia correr abaixo dos 6 minutos, um record pessoal. Corri quase 4 km em 20 minutos, a uma passada média de 5,32 minutos por km, sem qualquer cansaço ou resistência. O que voltou a encher de esperança este coraçãozinho frágil.

Na volta, a caminhar, e porque a não medição de sexta-feira ainda me estava atravessada, sentindo que não tinha perdido peso, quase decidi que agora só na sexta, com medo que os resultados me demovessem. Rapidamente mudei de ideias e decidi que ia encarar a besta de frente. Descobri que aumentei 0,9kg de peso, os tais 900 gramas que tinha perdido “a mais” no primeiro mês, tudo dentro da normalidade, portanto, e que todos os outros resultados estavam uma maravilha, tendo inclusive perdido 1,4kg de massa gorda.

Se o nosso ego, a nossa cabeça pode muitas vezes trair-nos, o corpo nunca, nunca nos trai. E o meu deu-me sinais de que havia uma carência no meu organismo que me afetava a performance. O que me faltava não eram capacidades, vontade, determinação, era sal. Tão simples quanto isto.

Antes de deixarmos que os nossos demónios nos arruinem, nada como sermos proativos, fazermos a pergunta, tirarmos a dúvida. É um grande favor que nos fazemos, e à humanidade em geral, poupando-a da nossa neurose.

  • Tiago 14/12/2016 at 17:01

    Sal. Curioso. Continuo na torcida. Quando vier fazer a São Silvestre me avise pra eu ficar na beirada da rua torcendo. =D

    • Isa 14/12/2016 at 23:44

      só para ter a tua torcida até ia :D mas fico-me pelos 5 KM, está de bom tamanho para uma pessoa desta provecta idade ;)

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