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60 milhões de pessoas às escuras

12/11/2009

À atenção do Gonçalo Venâncio, do I

Passavam apenas alguns minutos das 10 e zzt, puf, luz abaixo. Como tinha acontecido exactamente o mesmo há poucos dias, por conta de uma trovoada braba, limitei-me a ir buscar os cotos das velas que nos restavam e resolver o problema do breu, enquanto a bateria do computador aguentava.

Não deu nem 2 minutos e oiço um avião a chegar, preparado para aterrar. Felizmente, as comunicações entre avião e torre não são electrónicas e as luzinhas de chão que guiam os aviões na pista também não…

Todos os barulhos ganham uma dimensão gigantesca e um gato que se mexe e deita qualquer coisa abaixo, vira um barulho desconhecido, estranho e muito, muito maior… E desta vez tinha sido diferente, mas, ainda assim, quis acreditar que daí a uns minutos a luz voltava. Até ter ouvido a vizinha do lado, depois de reclamar: qui saco, agora é isso todo o dia?, pronunciar as palavras que não queria ouvir: é em toda a São Paulo???

A Silvia chegou, entretanto, e propusemo-nos discutir as questões da existência à luz das velas, na sala. Pouco nos resta, quando a luz falha… A coisa não durou muito tempo, resolvemos que iamos antes beber um café ao Pão de Açúcar, que tinha luz, por conta de um gerador, e velas… Que as nossas estavam a acabar.

A Silvia gosta de experiências radicais e resolve apagar as luzes do carro para vermos, mesmo, como estava escuro. E estava, muito escuro. O céu estava cinzento, sem lua, mas era de lá que vinha a única luz.

Quando nos aproximámos mais da rua movimentada perto da qual moro, reparei que, dos arranha-céus em volta, nem uma luzinha. Dificilmente teria ficado alguém dentro do elevador, já que os prédios grandes têm todos, ou quase todos, gerador. O ponto do busão estava apinhado de gente e dei graças ao Altíssimo por não ter de esperar por qualquer tipo de transporte público para vir para casa. Os semáforos não funcionavam, estava um breu que Deus me livre.

A pessoa pensa em assaltos, claro, mas a Silvia achou que os bandidos não assaltam às escuras e eu fiquei logo muito mais descansadinha…

Chegámos ao PA e resolvi que ia saber o que se passava, ali mesmo, no estacionamento.

RJ, MG, BH e até o Paraguai estavam às escuras… Será que foi o Chavez???

Já lá dentro, o corredor das velas era o mais procurado, as pessoas estavam tranquilas, comprando velas, comida e cerveja. O senhor que estava na caixa disse-nos que estava, também, meio POA às escuras e que a filha lhe tinha ligado de Curitiba pra dizer que São Paulo estava preta. As únicas luzes que se viam eram as dos faróis dos carros. E que a coisa seria pra durar. A tradução estava entregue, menos mal…

Ver uma cidade deste tamanho, cujas luzes se vêem a km e km de distância, lá do céu, às escuras é muito, muto estranho. E dá medo, muito medo… Mas é coisinha pra durar uns 2 segundos no máximo. Nem sequer chega pra entrar em pânico.

Deu pau no itau, iptu, i não sei quê, a central hidro-eléctrica nacional que abastece, inclusive, a Argentina. Foram usadas barragens de vários países e, por isso, estão todos ligados. Quando dá pau num, é efeito dominó e todos os outros ligados a esse um vão caindo por aí fora. Foi o que aconteceu e foi divertido.

Viemos pra casa, chegámos à conclusão que as grandes questões da existência teriam de ficar pra outra altura, e fomos dormir.

Enquanto adormecia e não adormecia, vi a luzinha vermelha da TV a acender e achei que o melhor que tinha a fazer era dormir mesmo, e amanhã logo se via. Soube depois que a luz foi chegando devagarinho, às casas de cada um.

Os prejuízos ainda não foram avaliados, mas foram muitos. O que nos deixa a pensar se aquela palhaçada de desligar a luz, uma hora por dia, uma vez por ano, faz mesmo bem ao planeta ou se é mais um mito urbano.

E foi isto. Podia ter sido muito pior, podia ter caído pelas escadas abaixo e ter partido uma perna, foi por um triz…

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  • Gi 12/11/2009 at 22:16

    Ainda ontem li num blog brasileiro a preocupação sobre se as centrais energéticas e outros pontos estratégicos daí estariam a salvo de ataques terroristas.
    Olha aí do que me lembrei ao ler o teu post. Ainda bem que não foi.
    Bj.

  • Isa 12/11/2009 at 22:27

    O Brasil quer-se erguido, não destruído ;)) bjo

  • mdsol 14/11/2009 at 20:22

    Beijo iluminado, Isa

    :))

  • Isa 14/11/2009 at 20:23

    mandei-lhe um mail aqui há dias ;))
    bjos e obrigada

  • mdsol 16/11/2009 at 00:08

    Isa
    Muito obrigada. Está lindo de morrer. peço desculpa por não ter agradecido… os afazeres e esta cabecita…

    Beijinhos para ambos

    :)))

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