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Vidas paralelas*

19/06/2007

Elas as há mais públicas que outras. As vidas paralelas que um gajo vive no outro mundo, o virtual. Ele é os MIRCs, os fóruns, o MSN, o Hi5, e seus semelhantes, os blogs, o Hattrick e o Second Life. Umas acessíveis a toda a gente e por isso mais públicas e outras só para alguns e por isso mais intimistas. E muitas vezes mais até do que com os próprios amigos, os desta vida. Como estas espécies de comunidades deve haver muitas mais que assim de repente não estou a ver. São horas e horas passadas na net. Eles os há Orkuts e semelhantes que se não são para manter relações virtuais são para recuperar relações passadas. Não sei se querer revisitar o passado não será pior…

Também não sei se a Internet é – neste caso concreto, naturalmente… – como os correios, que aproximam as pessoas, ou se pelo contrário as afasta da realidade e as aproxima do outro mundo, o virtual, sem grandes contactos físicos, sem obrigações que não a de estar online todos os dias e portanto sem grande sofrimento. Ainda que se sintam as coisas da mesma maneira – caneco, sempre é gente que está do outro lado do teclado – até se amua e tudo mas quando um gajo não quer mais, desaparece e pronto.

Felizmente para alguns é, como a roupa em excesso, o iPod ou o ginásio, apenas um complemento de uma vida real, esta sim com confrontos directos. Sem intervalo, advertências ou cartões. E muito menos tempo extra. É bem pior, é todo tempo do mundo. Mesmo que não nos apeteça.

Uma pessoa normal, que não viva enfiada numa redoma, leva uns chapadões pla vida fora, faz parte. Uns mais puxados atrás do que outros mas vai levando. Eles os há que se aguentam melhor à bronca. Outros pior. E são estes últimos que, digo eu, se agarram mais a vidas paralelas. Porque um gajo cansa-se de levar na tromba e deixa de estar para isso. Também os há tímidos, complexados com a própria imagem, sem grande coisa a que se agarrar nesta vida e por aí fora. E vive-se mesmo de e para uma e outra vida paralela. Porque não se tem uma vida cá fora mas também não se está sozinho. Há alguém do outro lado do teclado, que pode estar do outro lado do mundo ou ali na Bica, que nos ouve, lê e fala connsco. Ali, no outro mundo, há sempre alguém disponível, o que nem sempre acontece com os mais chegados, porque a vidinha é assim mesmo. E um gajo cai em si no dia em que alguém fica 3 ou 4 dias, uma semana ou 15 dias, sem aparecer e não dá para passar lá por casa a ver se há luz.

A porra, para alguns, é que por enquanto um gajo vive obrigatoriamente num mundo real e, se não quiser comido vivo, é bom que saia da toca de vez em quando.

E infelizmente, para os mesmos, é que o mundo virtual é nos muito próximo mas não nos chega a tocar. E um gajo às vezes precisa mesmo e só de um ombro.
*Revisto e ampliado

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  • Daysleeper 19/06/2007 at 00:14

    Arrrrrgggghhhhhhhhhh, se precisa!
    Mas bem dito.
    Deixo-te aqui uma citação de um amigo, que não tem muito a ver, mas é muito acertada:
    “Although I do believe that the internet has made this vast world a much smaller place to live and has brought otherwise disparate people closer together, it has also made me realize that we are surrounded by a substantial number of idiots.”

  • bonifaceo 19/06/2007 at 16:02

    Hum… não concordo 100% em todos os aspectos, ou pelo menos não é assim para muitos dos utilizadores.
    Isto na medida em que no caso do hi5 e messenger só tenho gente conhecida, logo é um mundo real para mim e não paralelo, é apenas um meio de contacto com amigos e colegas. Claro que na adolescência o mIRC funcionou um pouco da maneira como falas, e agora é mais o caso dos blogs, sim, sem

  • Miguel Sarafana 19/06/2007 at 20:37

    Parece que o shakespereano «we are such stuff as dreams are made on, and our little life is rounded with a sleep» «The T.», Act IV, Scene I, vs. 156-8, de Prospero, no final d’A Tempestade, se transformou hoje em dia em algo como: «As nossas pequenas vidas estão envolvidas num sono, tecido pelos cabos de mil computadores, que nos disfarçam as frustrações quotidianas e nos transformam a realidadde

  • ISA 19/06/2007 at 22:52

    Boni: “Felizmente para alguns é, como a roupa em excesso, o iPod ou o ginásio, apenas um complemento de uma vida real, esta sim com confrontos directos.”

    Mt bem Miguel, mt bem…

  • bonifaceo 20/06/2007 at 01:39

    Hum, essa parte não sei como a interpretei da primeira vez que a li… mas pronto, esqueçamos o “não concordo 100%…”, fica o resto da partilha pessoal. :D

  • Miguel Sarafana 20/06/2007 at 09:33

    talvez para rematar esta questão, passa uma vista de olhos pelo ultimo post de http://www.segundogume.blogspot.com e pelo «exortação» de http://www.babilonia365.blogspot.com. ;)

  • Miguel Sarafana 23/06/2007 at 15:15

    Afinal, Isa, a Saga continua… Ontem uma amiga, para minha profunda consternação (por favor repara no meu ar consternado!) lembrou-me que ainda há o “Second Life”. E logo à minha imaginação distorcida chegou a memória de gente (tanta gente!) que prefere (e efectivamente leva a cabo) a substituição da primordialidade das vidas, e faz da virtual da primeira e a segunda da dita “real”. E sinto-me

  • ISA 23/06/2007 at 18:40

    então mas eu n falei no second life, caneco? ;-)

  • Miguel Sarafana 23/06/2007 at 20:08

    Ora bolas! Não é que a sacana me escapou! Afinal os teus 35 andam é a pesar sobre mim! Meu Deus! Se ainda me faltam 15 anos ou 20 (mais ou menos)para chegar a esse teu nível de “melhor do que nunca”, imagina quando lá chegar! O Futuro é negro!!!!!!:P

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