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Jantar no Grémio? Sucesso!

16/02/2007

Consegui só deitar o copo do Sr. Embaixador abaixo. Felizmente estava vazio. O paizinho diz: então? alto e bom som, com aquele ar sério, sobrancelha devidamente franzida. A achar que me mete medo. Olhei pra baixo e pedi desculpa: eu sou assim meio desajeitada, peço desculpa. E houve 3 pessoas que se riram, eu avisei, há sempre alguém que se ri. O Sr. Embaixador, que é embaixador político, eu que não fazia a mais pequena ideia que havia embaixadores políticos, calha bem, ensinou-me também que um gajo não pode desatar a construir faixas nas auto-estradas só porque lhe dá jeito à hora de ponta quando vai pra casa. É uma faixa por cada 30 mil carros de tráfego. Acho que são 30 mil, os números não são o meu forte.

Falámos do tempo em que não havia coisas. Começámos plos telemóveis eles foram para a electricidade, a água canalizada e os carros, chegando inclusivamente aos combóios e eu fui pra net, prós tempos em que não havia net. Para alguns não só não faz falta como nem querem saber, pra mim quem me tira a Net e o portátil tira-me tudo. Viver sozinha tem destas coisas.

Descobri que tenho o mesmo jeito contestatário do paizinho.
– Então mas tu conheces o não sei quantos?
– Ele foi meu colega de curso, como quem diz: claro que conheço.
– Tá bem pá, mas há muitos colegas de curso que não conheço [olha que qualquer coisa começada por C, teria ele acrescentado noutra circunstância que não envolvesse smokings]. Pois eu estou-me a ver a dizer exactamente a mesma coisa, no mesmo tom. O máximo que consegui foi levantar ligeiramente a voz quando se falou na Camarada Odete. A minha relação com a Odete é visceral. Ela começa a falar e eu mudo de canal. A anfitriã dizia: eu acho que ela bebe um bocadinho, é que tem sempre a voz arrastada… Bebe um bocadinho? Por amor de Deus… Bebe não bebe? Claro que bebe e não é pouco. Ela fala assim, deita-se na mesa do Parlamento e vá lá que agora já tem dentes… E afinou com o RAP, coisa que me deu um gozo imenso.

Concordámos, os que vimos, que os documentários do Salazar e do A S Mendes estavam brilhantes e que aquilo é verdadeiro serviço público. Confesso a minha ignorância, não fazia puto de ideia quem era o A S Mendes. Nem que o Salazar é responsável pelo maior investimento de infra-estruturas jamais visto. E que era um gajo honesto, nunca ninguém apanhou qualquer espécie de indícios de jobs for the boys ou outros favores que tais. Aprendi que foi um sacaninha com o desgraçado do Sousa Mendes mas que não tinha outro remédio. Desobediência pública dá direito a humilhação e descrédito. O S Mendes tinha de ser punido. E foi, o desgraçado.

A mulher do Sr. embaixador era engraçadíssima e passava o tempo a dizer-me que aquilo era tudo histórias de velhos como quem diz, vê lá onde te vieste meter. Diverti-me imenso com ela. E com o senhor que estava ao meu lado esquerdo. Uma simpatia.

E o espaço é absolutamente fabuloso. E o jantar óptimo. Não havia muitos talheres e os copos estavam sempre cheios, com cores diferentes, naturalmente. Não havia como me enganar.

Eram todos descontraidíssimos. Mesmo os que tinham acabado de se conhecer. Naturalmente só podia ter corrido bem.

Falei pouco, disse menos e ainda passo por inteligente e atenta ao que se passa no mundo em geral e em Portugal em particular. Fiquei ligeiramente incomodada quando se começou a falar de netos, não os meus, mas os do paizinho, fui logo avisando que se depender de mim não será tão cedo, tendo o cuidado de não dizer nunca, antes que chovesse.

Quando o senhor me estende “o casaco da madame” apeteceu-me fugir dali pra fora rapidamente. Madame é que não sou, caneco!

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  • jg 16/02/2007 at 09:47

    Ora cá está. Imagina que o senhor estendia “o casaco da Menina”. Assentava-te como uma luva!!!
    Não queres crer no que te digo. É muito ano a virar frango, querida…

  • Gonçalo 16/02/2007 at 10:13

    e o Cruges? e o Alencar? O Ega, Deus meu? Não foram?

  • Goiaoia 16/02/2007 at 17:56

    O Hitler, Imself, reduziu a inflacção galopante da Alemanha em 1937 de trezentos e tal porcento… chegou a bater nos mil e tal ao mês… a Alemanha sofreu bué com o Big Crash na bolsa de valores Norte-Americana… promoveu a maior campanha de obras públicas de que à memória no Ocidente (rede-viária dos E.U.A. inclusive), reduziu o desmprego de milhões para nenhum! Claro que esganou e trucidou os

  • ISA 16/02/2007 at 18:02

    n exageres…

  • JV 19/02/2007 at 04:36

    ja que falas nisso , ha um livro do Fernando Dacosta , que saiu no natal , parece-me , chamado as Mascaras de Salazar.Ainda nao li todo mas parece-me imprescindivel, mostra um Salazar que poucas pessoas se dao ao trabalho de conhecer.Quando foi visitar as obras da ponte disse a um dos engenheiros , a apontar para a placa com o nome dele ” olhe que ‘e melhor so aparafusar isso, que ‘e mais facil

  • ISA 19/02/2007 at 16:36

    é isso mm JV. Há que lhe reconhecer tb os méritos. O documentário do G P foi mt elucidativo.

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