Uncategorized

(29 JAN) Auto da barca do inferno:

09/02/2006

O dia começa mal. Não temos cadeiras para todos. Fomos ver os golfinhos que não existem. Os gajos sabem bem que não existem e transportam os turistas otários durante horas dentro de um barco para não ver rigorosamente nada. Gosto de andar de barco, não me chateio.

Soundtrack: música do genérico da 5ª Dimensão.

Na volta passamos na praia das borboletas para ver o que nos espera mais logo. Para rave parece-nos pequenina mas bonita O André espera horas e horas por uma mísera sandwich de atum e apanha um ataque de nervos com o tolo do miúdo que nos serve. O miúdo é nepalês mas a avaliar pela monguice deve viver na Índia desde que se conhece como gente. Mantemos o espírito alegre. Hoje é dia de festa. Vejo o pôr-do-sol com o Alex. O resto foi pra casa repor os sonos que mais logo quer-se energia em barda. O pôr-do-sol é o da foto. Saio da praia para ir a Net postar. O internet point é estrategicamente na mesma praia, virado para o mar. Assisto ao fim do pôr-do-sol enquanto vos escrevo. E enquanto o Alex é devorado pelos mosquitos.

Artilhados de álcool até aos cabelos, repelente, papel higiénico, lanternas, e demais artefactos para uma noite que se quer longa e animada, saímos para jantar decentemente.

Jantamos no restaurante dos panos, ao ladinho do Café del Mar com o mesmo nome e a mesma imagem do de Ibiza. Os indianos continuam uns totós. Temos de dizer as coisas 30 vezes e ainda assim trazem-nos pratos a mais.

Não tenho grande pica mas resisto à tentação. Quero mesmo ir a uma festa em Goa e ponto final.

Não há barcos porque é de noite e os barcos não têm luzes (!) é assim mesmo. Enquanto os organizadores da festa não pagam à polícia para que os barcos possam sair assim mesmo não há nada pra ninguém. Vê-se gente e mais gente de garrafas de 2 litros de água na mão por todo o lado.

Parece que a policia está devidamente controlada. Há barcos. Saímos do sítio onde estávamos para um ultra-secreto onde os nossos homens haviam combinado com um gajo qualquer para nos transportar.

A Marta avisa que não vai pra lado nenhum num barco sem luzes. Eu mando pró ar que não me agrada ir num barco cheio de gente. A minha vontade não é muita, tenho sono mas luto contra a minha cabeça. Não quero perder a festa por nada. À Rita ocorre que o perigo está nos outros barcos e não nas rochas porque confiamos que estes gajos conhecem o caminho como as palmas das mãos deles. Vemos que os barcos afinal têm luzes. A Marta convence-se a ir.

Vemos sair um barco precisamente do sítio onde tínhamos estado. Os gajos que tinham combinado connosco não aparecem. Aparece outro gajo que sai de perto de nós a correr para ir buscar um barco. Deparamo-nos com um par de chinelos na areia. Não são de ninguém. O Frederico pega num e atira-o ao mar. Ainda ele ia no ar e o André lembra-se que pode ser do gajo que saiu a correr para nos arranjar um barco… vemos sair mais barcos longe do sítio onde nos encontramos e de sítios onde já havíamos esperado horas por eles.

Nada. Nada. Nada durante horas.

Aparece finalmente um barco no qual nos enfiamos os 8 mais dois turistas que não conhecemos de lado nenhum. Boa, vamos só 10, menos mal.

Afinal os barcos não têm luzes permanentemente ligadas. Vemos uma luz demasiado perto. O Frederico vira-se para a frente e resolve ligar a lanterna. Nada mais nada menos do que um barco a escassos metros de nós. Olha aí, olha aí, os nossos barqueiros ainda desligam os motores mas é tarde. Só vejo o barco a vir para cima do nosso e lembro-me de pensar: a Marta e o Frederico estavam ali, ali, precisamente onde o barco subiu. Onde é que eles estão? Foi tudo muito rápido. Ouvimos o Frederico dizer que estava tudo bem e só olho para a Marta e penso: porque é que raio era ela que estava ali e dou graças a Deus por ter sido o Frederico que ia ao lado dela.

O Frederico, em fracções de segundos, pensa: ou atiro-me à água e levo a Marta comigo ou… Não se lembra de mais nada. Encosta-se para trás, por isso deixo de o ver, e empurra o barco com o pé. O barco é leve, foi o suficiente para o afastar. As bestas nem sequer sabem a regra básica de virar para o mesmo lado em caso de colisão evidente. O anormal vinha ao atravessado e nós de frente. E pior, o gajo virou o barco literalmente para cima do nosso. Deveria estar completamente bêbedo e sem noção nenhuma do que estava a fazer.

A Marta, e nós todos em coro a seguir, depois de constatarmos que os gajos se preparavam para seguir viagem, dizemos que queremos voltar para trás.

A coisa não passa de um susto monstruoso e de umas lascas no barco. Nem pensar irmos neste nem em nenhum outro. Para mim o aviso foi claro: não é para acontecer e ponto final. Constatamos que, enquanto lutavam pela vidinha, nem a Marta largou os chinelos nem o Frederico largou a lanterna…

Bebemos uns copos no café del mar ainda completamente azamboados com a história toda. O Frederico fica com uns arranhões na perna, ainda dá um pontapé numa pedra que lhe dá cabo do outro pé, o são.

A imagem do barco a vir pra cima de nós vem-me à cabeça de dois em dois segundos.

Soubemos depois que a festa foi uma granda merda. Só queimados por todo o lado, a fritar, e muito pouca gente. Com o som bom mas um ambiente de merda.

(30 JAN.)
Praia, praia e mais praia e so long Palolem, que decidimos logo no primeiro dia que foi a praia mais fixe onde estivémos. E que a onda do lugar é a melhor. Fazemos a viagem de dia, não queremos o mesmo stress da vinda.

Próxima paragem: Lake View Hotel (ali como quem vai para Anjuna)

You Might Also Like

  • bonifaceo 10/02/2006 at 03:37

    Vês… eu medricas como sou é que não ia gostar nada de ir de barco à noite com pouca luz sabendo que ainda por cima andavam mais barcos na mesma situação, mas se fosse o único a torcer o nariz que remédio tinha senão acompanhar o resto do grupo…

  • ISA 15/02/2006 at 16:17

    mas foi mais importante que o medo Boni, foi aprender a seguir o que sentes. pq se o sentes é por algum motivo. pra mim foi mais uma lição de vida. bjs

  • error: Content is protected !!