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De: Entre Delhi e Agra

11/01/2006

De: Entre Delhi e Agra
Para: Lisboa

– Pedimos o comboio de 1a classe. Mandam-nos em 2a. O comboio e, como tudo o resto, uma javardice pegada STOP
– Depois de andarmos quilometros ate a nossa carruagem, la nos sentamos. Mulheres (5) para um lado, homens (2) para outro. Calhou. Nao havia quase ninguem no comboio STOP
– Comecamos a andar e depois de o comboio parar passados 5 minutos constatamos que e um inter-cidades, dos que param em todas as estacoes e apeadeiros, e no meio deles… STOP
– Na 3a paragem entra um monte de gente. Querem-se sentar ao nosso colo mas nao deixamos. Afinal fomos os unicos a pagar bilhete. Ainda assim, a proximidade e em demasia. Em bancos de 3 sentam-se 4, um com as pernas para o corredor outro com as pernas pra frente. Toda a gente olha para nos sem desviar o olhar. Da-me ideia que o resto do comboio esta vazio e tudo e todos se concentram ali. Tranquilo. E bom poder falar sem que ninguem perceba. Apetece-me bater-lhes palmas a frente dos olhos a ver se se tocam e param de nos olhar tao fixamente. Rimo-nos que nem umas doidas STOP
– A Rita e a Nelma estao do lado da janela. A Marta ao lado da Rita, eu ao lado da Nelma e a Vanessa na ponta STOP
– O comboio abranda a velocidade mais uma vez. Comecamos a ver hordas e hordas de gente do outro lado da plataforma. Nao fazem mais nada. Atravessam a linha e preparam-se para entrar STOP
– A verdadeira invasao. Penduram-se portas e so nao entram pelas janelas porque tem grades. Esmagam-se uns aos outros numa confusao so. O comboio desata a encher e em segundos fica a pinha. Aqui a coisa deixa de ter piada. Nesta altura do campeonato temos um circulo de monhes a nossa volta. Falam aos gritos uns para os outros e toda a carruagem se levanta para nos espreitar. A pobre da Vanessa tem uma panca de um encostada a cabeca. Quase ao meu colo comeca a desesperar e a dizer que quer sair dali. Como, filha, se nem um mosquito da malaria consegue furar esta multidao? A gritaria incomoda. Ficamos todas contentes por nao percebermos uma palavra de hindu. Imaginamos apenas os comentarios muito pouco proprios daqueles fdp. A Rita diz que reage. A mim so me apetece por um braco a volta do pescoco da Vanessa a ver se com o meu cotovelo consigo alivia-la da panca do monhe. Ela nao me deixa STOP
– Acabamos com os sorrisos. Quase nao falamos porque qualquer coisa e pretexto para uma gritaria e umas gargalhadas insuportaveis. Estamos na linha de Sintra e acabamos de parar na Damaia STOP
– Felizmente dura pouco apesar de nos parecer uma eternidade. Chegamos ao Cacem e a carruagem esvazia-se. Chamamos os ”nossos” homens que nao nos largam mais. Ai deles… STOP
– Agra, finalmente, depois de quase 5 horas no comboio dos horrores STOP
– (Soubemos depois que o comboio que apanhamos era o unico que nao deviamos apanhar. Era o comboio dos assaltos…)
– A Internet funciona a mesma velocidade que os riquexos STOP

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  • CA 12/01/2006 at 13:14

    Eh eh…
    Isto faz-me lembrar a minha alucinante viagem de comboio na Polónia… cheguei a pensar que me iam levar para um campo de concentração de Inter-Cidades.

    Aí deve ser 50 vezes pior…

    Diverte-te. Beijos.

  • Mipo 12/01/2006 at 15:43

    ah… as maravilhas de uma idílica viagem de comboio!…

  • Alexandre 12/01/2006 at 17:35

    Rail Babe,
    Toda uma imagem deliciosa de “caril de tugas” a caminho do Taj… era capaz de jurar que consigo exactamente imaginar as vossas carinhas ao longo da viagem-infernal-tipo-filme-de-Indiana-Jones… Mas pensa positivo: nós lemos, vcs vivem… ok?
    Que mercado fabuloso para vender dodots….! :)
    Beijo grande.

  • ISA 13/01/2006 at 13:33

    sem stresses Alexandre, faz tudo parte da experiencia. e digo-te e unica, mesmo. eu diria mesmo uma licao de vida na medida em que mts conceitos que tens vao directamente pro lixo…

    beijos grandes pra todos

  • Alexandre 13/01/2006 at 15:49

    I’ve Seen The Light Babe,
    É justo, mas não mudem tudo antes de eu chegar, senão não vos reconheço… ;)
    Beijos e abraços!

  • bonifaceo 16/01/2006 at 02:10

    Os “monhes”, como lhes chamas gostam de andar de combóio pelos vistos. E para onde ia assim tanta gente? Eles não trabalham? :S

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