Uncategorized

MOURNING AND GRIEF LASTED FOR 5 MINUTES ONLY*

01/01/2006

Ontem foi a segunda vez que o encontrei, ao Johnny Depp português.

Último dia de um ano bom. As emoções à flor da pele, a lágrima fácil, ainda estou para perceber por quê. A sensação de que não devia ter saído de casa…

Como é que a minha atenção poderia ir para um gajo que enverga uma t-shirt que diz “clínica dentária”, numa festa de fim de ano, na Galeria da Cristina Guerra? Não é por nada, simplesmente achei desadequado. Só lhe conseguia ver a t-shirt enquanto pensava: este gajo não tem noção… Depois começo a abstrair-me da indumentária, ainda que apenas a t-shirt me chocasse, e olho, com olhos de ver, para a cara dele. É ele! É ele! A versão portuguesa do Johnny Depp, em pessoa, carne e osso, ali, à minha frente o tempo todo. Como é possível ser tão ceguinha valha-me Deus… Se calhar é artista… Se calhar é aprendiz… Daí a t-shirt! Aos artistas perdoa-se-lhes as excentricidades. A este perdoo tudo, mesmo que não seja artista. Por que os pais dele são-no certamente…

Eye contact! Que se lixe a t-shirt! Que se lixem os tiques meio abichanados. Mourning lasts 5 minutes. Tempo máximo permitido. Além disso o Tiga está outra vez a bombar e eu de arrasar!

Estou virada para a frente, ele está de lado. Com o meu braço direito colado às costas dele. Sem conseguir desviar os olhos do pescoço e do cabelo despenteado daquele Deus luso, e com uma vontade enorme de lhe dar um beijo no pescoço largo, fazer-lhe uma festa no cabelo lindo e fugir, controlo os ímpetos mas não resisto: canto-lhe suficientemente perto do ouvido, determinada: U gonna want me. Ele vira-se, sério, sigo os olhos dele, que por sua vez me olham dos pés à cabeça. Só lhe vejo a boca, e continuo: but if U want me…, olhamos um para o outro, olhos nos olhos, castanhos, grandes e escuros, que me encantam na hora: it might be a different story. Ele abre um sorriso. Eu abro outro ainda maior, que começou enquanto dizia: …It might be… que se abre cada vez mais… a different story… e que já não consegui desfazer. Ante aquela boca, aqueles olhos e aquele cabelo… E aquela cara, gira, gira, ali, a olhar para mim e a sorrir.

E ali ficámos, a sorrir. A sequência foi perfeita e eu não me quero esquecer dela tão cedo. Guardo aquele sorriso no meu disco rígido. Faço back Up imediato daquela boca, daqueles olhos, daquele cabelo, daquela figura que só pode ter caído do céu, na minha memória portátil, para que jamais perca o rasto de uma das cenas de flirt mais giras que já vivi.

Ele agora dança mais perto. A música continua, noite fora. Boa, muito boa!

Isn’t that an excuse that we’re making, we’re making. Is it good enough for what you pay!

Estou para me vir embora. Mais uma vez não resisto. Este gajo é lindo. Eu, que sou feita de emoções, das quais jamais me envergonho, e que acima de tudo sou atirada prá frente, agarro-lhe suavemente no braço, ele vira-se, e eu, desfeita num sorriso só, chego-me a ele e digo: um bom ano pra ti. Ele, à distância de um passo, olha para mim de alto abaixo, com aquela cara de agradecido que me grita: “agarra-te ao meu pescoço e cobre-me de beijos”, e daí se calhar foi só impressão minha, ao mesmo tempo que volta a olhar-me nos olhos, aproxima-se e diz, com aquela voz de cama, absolutamente tentadora: pra si também.

Com o ego algures num sítio longínquo, tão longínquo que não o vejo, levo a mal. O gajo está-me a chamar velha, trata-me por você.

Depois revejo a cena. Ao mesmo tempo que dizia: pra si também, a mão dele desce-me pelo braço, chega à minha mão, sinto um aperto suave da mão dele nos meus dedos, despedimo-nos com um sorriso e alguma resistência em largar a mão um do outro.

Não trocamos telefones, não sei nada dele. Espero que não se chame André nem seja Balança, been there, done that. Chega! Que não tenha uma Vanessa Paradis à perna nem uma história deprimente com alguma Kate Moss portuguesa.

A ver, quando é que o Universo nos proporciona o próximo encontro casual.

*O “luto” durou apenas 5 minutos!

You Might Also Like

  • Nando 04/01/2006 at 15:23

    Uau! Já li e reli estes posts altamente sensuais e fiquei pensando… E que fique bem claro: eu tenho espelhos em casa e jamais ousaria disputar a Rainha com o Johnny Depp (de qualquer nacionalidade). Mas… Assim… Embora não tenhas a obrigação de reparar nos detalhes… Como que sem querer… Será que não havia num cantinho qualquer, alguma Charlize Theron (de quaquer nacionalidade!)? Pois nas festas que eu costumo freqüentar não achei nenhuma ainda…

  • ISA 04/01/2006 at 15:55

    Acho que não, Nando, acho que não havia… mas se acaso souber de alguma Charlize podes crer que te farei saber!

    Olha tu n sejas doido… O Johnny Depp, independentemente de ser inatingível, é mto bem casado e o Johnny Depp portuga dá-me cá a sensação que é amarrado na coluna do meio… Ou então disfarça mto bem. foi só pró charme. Mas foi linda a cena dele. a maneira como reagiu à minha investida. e n foram precisas palavras, o que é sempre mto engraçado tb, sentires coisas tão giras sem que sejam ditas, só através dos olhos e do sorriso.

    Enfim, olha, há que continuar a sonhar…

    Um beijo pra ti!

  • Nando 04/01/2006 at 16:29

    Isa,
    Certíssimo… Sonhar e… dançar. É o que pode fazer bem.
    Uma das melhores definições que eu já li para a fé (que vale também para os sonhos, ça va!) é: Você sai de casa atrasado e vê seu ônibus (posso?) já a sair da parada; peça a Deus, com toda fé, para que Ele o ajude a alcançar a condução e… corra!
    Não é necessário explicar, mas eu gosto de me por a ruminar… Sonhar é ótimo, mas é preciso fazer o que fizeste. Ao menos um gesto teu que prove ao Universo que o teu desejo é sincero e que estás disposto a fazer a parte que te toca, não achas?
    Pois continua a sonhar, a dançar… Ah! E, caso tenhas algum tempinho, a postar também, que não te custa tanto ver o nosso lado, não é mesmo?

  • ISA 04/01/2006 at 18:05

    claro! o Universo está aí para nos proporcionar tudo de bom mas nós temos de colaborar. eu faço a minha parte sim. às vezes faço de+. outras vezes n sei o que fazer. mas neste caso senti que, dps da reacção dele, n me podia ir embora sem no mínimo lhe desejar um bom ano.

    escrever é a minha vida. é uma das minhas terapias, tal como dançar, n deixarei de o fazer.

    haja internet disponível paara poder ir postando.

    e que tu permaneças desse lado, a ler as minhas babuseiras, porque me dás uma força imensa!

    Um beijo do tamanho do Universo. ;-)

  • bonifaceo 05/01/2006 at 18:28

    Ali atrás, perguntei o que era “amarrado na coluna do meio”, embora estivesse com a pulga atrás da orelha sobre o que seria, pelos vistos a minha intuição estava certa.
    Esse tipo de contacto só mesmo com conhecidas, desconhecidas é raro passar do eye contact, ainda hoje no expresso lá houve um :D. Já agora, estiveste bem, muito bem, tens jeito, e o Universo se calhar anda-te a dizer alguma

  • error: Content is protected !!