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A CASA DA BETA AKA A CASA DOS ANJOS

05/12/2005

Na casa da Beta o ambiente é internacional. Mora a Beta e o Gil, portugas, o André, brasileiro, e a Jenny, colombiana.

Não há casa onde me sinta melhor do que em casa da Beta. A boa disposição é permanente, a calma impera, a música toca sempre, o pessoal é bem-disposto e há uma varanda que fez as minhas delicias este verão. Enorme, com uma vista para as traseiras dos outros prédios, formando um rectângulo, mais lisboeta é impossível. Com direito a roupa no estendal, gatos nos telhados e cães a ladrar. Som da TV alto e brasileirada a monte, tudo a cantar ou a ouvir a bola na TV.

E ontem, algo de inédito aconteceu. Euzinha, que nunca cozinhei mais do que um ovo mexido e massa verde, fiz o jantar. É verdade, podeis bater palmas. É certo que era congelado e foi só aquecer mas não interessa. Eu estava no fogão e isso é algo que os meus amigos de uma vida jamais me viram fazer. Nem os meus irmãos, estou em querer. Pois é, a Beta teve de dar uma orientaçãozinha básica na prova final mas de resto fiz eu tudo. Portanto basicamente abri o pacote dos raviolis queijo e espinafres, meti-os pra dentro de uma frigideira, e pronto. Mas enganei-me. Aquilo dizia que estava pronto em 8 minutos e que nos primeiros 5 não deveria mexer no produto. Ora eu li, nos primeiros 8… Mas não teve importância nenhuma. Ficou muito bom. Em casa da Beta toda a gente bule. Sem cobranças, não é preciso. O Gil e a Beta fizeram uma salada excelente e o André contribuiu para a felicidade geral da melhor forma que sabe. Com música e demais aditivos para fazer aumentar ainda mais a boa disposição que sempre impera naquela casa. Na casa da Beta tudo se partilha. Num mundo onde cada vez se olha mais pró próprio umbigo parece-me de especial relevância este ponto.

Qualquer pessoa que lá vá pela primeira vez, é cumprimentada com um abraço. Sempre. Com a Beta e o André são abraços de meia hora, cada um! A Ria, que também lá vivia mas bazou para o Algarve, e fez ela muito bem que lá ao menos há mar, cumprimentava-me sempre com um abraço e se troquei 10 palavras com ela foi muito. A Jenny idem.

Foi com a Beta e o André, encontrámos a Ria e a Jenny lá, que fui ao meu primeiro festival de verão. Foi com vocês que vi Gilberto Gil, um concerto que não vou esquecer tão cedo. Em Lisboa, só com brasileiros. Só ouvia sotaque brasileiro à minha volta. É uma sensação do cacete sentir que por momentos, em tele-transporte mental, estamos no Brasil. É só fechar os olhos. E aí não há boa disposição que resista. Um concerto do melhor, ainda por cima… Foi com a Beta que tive a minha primeira experiência verdadeiramente espiritual. Com o André aprendi a conviver saudavelmente e agradeço-lhe por isso até ao fim da vida. Porque inédito.

Em casa da Beta sinto-me em paz. A casa da Beta é conhecida por casa dos Anjos. Deve ser pelos Ajnos que lá moram. Que não são celestiais nem imunes ao desvario mas são mais gente do que muita gente que conheço.

Beta e André, vocês foram das melhores coisinhas que me aconteceram este ano. Beijo grande!

André, não te vás embora!

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