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A CARBURAR…

22/11/2005

A sensação é de quem sai de uma massagem. Com o corpo leve, leve. Uma tranquilidade que dá gosto. A cabeça parece vazia mas na verdade está a carburar. A carburar informação. A carburar, e de que maneira, tudo o que se ouve. Todas as novas informações com as quais temos de lidar e que nos abalam as certezas internas que temos em relação a nós mesmos. A assimilar. Só.

Esmiúçam-nos o cérebro à procura de seja o que for que abale a convicção que temos de que estamos certos e que OK, a “culpa” é de ambos mas é mais tua do que minha. Porque eu estou certa. Eu tenho consciência do que sou e de quem sou. Não é que seja perfeita mas também não sou má de todo. No minuto seguinte somos traídos pelas nossas próprias palavras, as nossas próprias acções. De repente cai tudo por terra. De repente temos de nos refazer.

Não tenho medo da verdade. Nunca tive, por mais que ela me doa. Prefiro isso a viver numa ilusão que não me resolve os problemas antes pelo contrario, agráva-os. Aumenta-os. Condiciona-me o tempo todo, com toda a gente. Mesmo com aquelas pessoas com as quais acho que não estou condicionada. Mesmo com aquelas pessoas que entendo que não me devo condicionar.

Um gajo vai ao engano, acha que vai descobrir o mal de todas as coisas. Só que a verdade já a sabemos. Ela está lá, no cantinho mais recôndito do nosso consciente. E nós sabêmo-la. Sabemos sempre. E de repente toma lá! Não é bem assim, aliás, não é nada disso… Antes a verdade…

Descobrimos que afinal estamos tão enganados em relação a nós próprios que até chateia. Descobrimos que de repente, em 30 anos de vida, andamos enganados e percebemos por quê. Que afinal não somos assim tão bons como pensamos. Que os outros são tão responsáveis como nós? Não, que nós somos mais. Somos responsáveis pela nossa vida, por vivê-la o melhor possível. Por não deixarmos que os outros nos condicionem como condicionam, e mal, porque na maior parte das vezes não fazemos a mínima ideia do que lhes vai na cabeça. E pior, não nos esforçamos minimamente por saber. Porque se nós queremos saber nós temos de perguntar. Mas não. Os nossos medos, que não sabemos explicar, as teorias, as condições, tudo nos condiciona. Somos nós quem arranja as condições que nos condicionam, só para não enfrentarmos o touro pelos cornos e livrarmo-nos de uma vez do que nos incomoda. Ou partirmos nessa viagem e darmo-nos uma oportunidade, em pé de igualdade com o outro, seja ele quem for, de sermos felizes, juntos ou separados, mas felizes. Mas a condição máxima do ser humano está lá, sempre. O medo, seja ele do que for, mas não passa disso. Observamos atitudes, baseamo-nos nisso para agir, mal, quase sempre. Descobrimos que jogar à defesa é afinal jogar ao ataque, sem a mínima hipótese de marcar golo. Aliás, com uma grande probabilidade de sofrermos um golo, eu diria. No último minuto, na Final. Ou logo no início, que nos abala de tal maneira que não conseguimos recuperar a vantagem e perdemos o jogo. Às vezes perdemos o campeonato, para sempre, porque aquilo era a Final e nós agimos como agimos sempre. Por que afinal não nos defendemos, atacamo-nos. Atacamos as nossas emoções o tempo todo. Atacamo-nos muito mais a nós do que ao outro.

E descobrimos também que o nosso mau não é assim tão mau. Qual é o problema afinal? Não existe. Como para tudo o resto bastam uns pequenos exemplos para constatarmos que não é assim. Qual é o mal? Nenhum…

A concorrência é apertda, não é? É. Mas eu sou melhor! Então prova que és melhor.

Sim, gostava de descobrir o por quê disto e daquilo. Por que é que…? Não sei… E por que é que…? Não sei… Não sei… Não sei mesmo…

Cada vez sei menos. Cada vez menos… Não sei é nada. Rigorosamente nada… Mas isso é bom. Muito bom, afinal…

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  • Mônica 22/11/2005 at 16:23

    menina, eu estava com aleitura atrasada por aqui…ri, refleti, sonhei…num só lugar…grande beijo

  • ISA 22/11/2005 at 16:36

    valeu mônica. beijo enorme pra ti tb

  • maria 22/11/2005 at 18:12

    pois, Isa sabes qual é o problema é que eu acho que há muito pouca gente a querer encarar o boi pelos cornos…eu quase sempre encaro…mas olha nem por isso me dou melhor…mas que se dane, eu sou como as crianças tenho que saber os porquês. Os porquês de tudo. E isso pode complicar, mas não consigo viver na escuridão. E por muito que a verdade me doa, prefiro do que uma mantira que me vai doer

  • ISA 23/11/2005 at 11:55

    Pois maria, é assim mesmo. agora eu pergunto: é preferível n enfrentar o boi pelos cornos e ficar assim a ver a vida passar?

  • maria 23/11/2005 at 14:43

    claro que não. Até podemos morrer tristes, mas ao menos não morremos “entupidinhas”:)

  • ISA 23/11/2005 at 15:25

    podes crer que n morres infeliz. morres de consciência limpa do “dever” cumprido.

  • CA 23/11/2005 at 19:35

    Tinha saudades destas tuas filosofias que me fazem pensar e que são aquilo que eu também sei mas às vezes não vejo ou não sei dizer.

    :-)

    Beijo grande.

  • Anonymous 24/11/2005 at 18:42

    oi,
    estava fazendo uma pesquisa sobre Fernando Pessoa e acabei por encontrar seu blog… Qria saber se você não saberia me indicar um site q tivesse obras do Pessoa.
    Valeu!
    Talita Fernandes
    Curitiba/PR – Brasil

  • Anonymous 24/11/2005 at 18:44

    Ah, meu e-mail é titapitt@yahoo.com.br
    Talita

  • ISA 25/11/2005 at 14:24

    saquei esse poema do fernando pessoa do blog da raquel, tua conterrânea. clica aí em pagando a língua, ou directamente no nome da raquel no fim deste post e vais lá parar. ela tá por dentro da literatura. pode ser que saiba. eu n sei de nenhum site específico. beijos e boa sorte.

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