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Sem medo

13/10/2005

Sempre achei que o medo era uma grandessíssima chatice por nos impedir de fazer ou expressar muita coisa, nomeadamente as emoções, que é de facto do que somos feitos, e que são boas, muito boas, por mais que as deixemos para trás tantas vezes em prol da razão. Afinal são expressas através dos sinais do coração e sem ele…

Ah, sim, o medo, esse monstro que nos castra de uma maneira tal que nos retraímos fazendo com que não nos atiremos para a frente e enfrentemos a vidinha pelos cornos, essa, a dos desafios, que se nos atravessam no caminho a torto e a direito, a toda a hora e a todo o minuto. – E que seria de nós se eles, pergunto eu? – Que nos faz ficar naquele limbo do não é nem deixa de ser; que nos impede tantas vezes de conhecer o lado de lá, o da bonança depois da tormenta. É que a bonança sabe tão bem que é uma pena ficarmos agarrados ao que conhecemos por medo do desconhecido, do novo, valha-me Deus que se não somos estúpidos andamos lá muito perto. Uma porra de um sentimento, ou lá que raio é o medo, que nos põe a tremer, a fugir de tudo e mais alguma coisa e que nos cria fantasmas gigantes que nos atormentam os sonhos e nos impedem de viver em pleno, a tempo inteiro.

Diz o povo que a sorte protege os audazes e eu acredito que o povo tem sempre razão. O povo, e não o povão, e muito menos o povinho, excepção feita ao Zé e respectivo manguito!

No entanto, foram os Edukadores – que se não serviram para mais nada serviram para isto e já não é mau -, nomeadamente o rapazinho do Goodbye Lenine, que me puseram a pensar na coisa de outra maneira. Falavam os pequenos de drogas e tal, em particular da erva, e que são boas porque nos tornam um bocadinho mais desinibidos, o que só nos faz é bem, e mais não sei quê. E a propósito disso vêm as drogas produzidas pelo nosso próprio corpo, e que também são boas, nomeadamente a adrenalina e o medo.

Diz ele que o medo é uma droga das boas. Não podemos abusar dela, claro, como de nenhuma outra, mas que uma dosezinha de medo não é assim tão mau quanto isso. E eu também acho, especialmente quando comparada com o seu oposto, o excesso de confiança, esse sim, uma merda bem grande que só nos traz dissabores. Ora a falta de excesso de confiança e um bocadinho de medo fazem com que nos esforcemos mais e como consequência evitemos ser apanhados desprevenidos. Fazem sempre com que nos surpreendamos pela positiva e nunca que as expectativas resultem em desilusões monstruosas, em desapontamentos filhos da puta que, esses sim, nos vão impedir de agir. E de pensar, que é o pior!

Vai-se a ver e o medo afinal até é bom, em doses comedidas. Já o medo que temos de nós próprios é a excepção à regra… Afinal, somos todos feitos da mesma massa. Podemos todos chegar onde quisermos. O medo de alguns faz com que sejam menos iguais que outros.

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  • bonifaceo 14/10/2005 at 03:13

    Ai o medo… eu costumo usar um misto de medo e confiança, embora não seja muito bem sucedido por exemplo a nível de encontros…
    Mas o medo é terrível é…

  • Zica Cabral 18/10/2005 at 12:11

    o medo faz parte do ser humano, sobretudo o medo do desconhecido. Mas é vencendo o medo que se cresce e se vai para a frente.Ter medo é salutar porque nos faz reflectir e e peneirar sobre o que vale ou não a pena vencer ou ultrapassar.
    Um abraço
    Zica

  • ISA 18/10/2005 at 13:46

    sim. e pode ser bom por isso mesmo, evitar grandes precipitações. Beijos Zica e bem-vinda! ;-)

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