Uncategorized

FEDORENTOS

20/08/2005

Desde que o Herman José entrou naquela letargia mental em que se encontra, vai para tanto tempo que já nem me lembro, que o humor em Portugal virou, ela própria, a palavra, uma piada. Uma piada de muito, muito mau gosto. Pobre que só ele e de um nível à altura do metropolitano de Lisboa.

Diz-se por aí, que eu nem me atrevo a ver, que os Malucos do riso, os Batanetes, a Maré Alta, o Último a rir, e mesmo os programas do cabo – cujo maior veículo é a SIC-quanto-mais-se-ajavardar-melhor-Radical – são para rir. Pois a mim, de cada vez que, no meio do zapping, lá vou parar e, numa tentativa hercúlea, cheia de força e boa vontade, numa esperança que nunca morre, me esforço por ver e ouvir estes programas constato, sempre, sempre, que só me fazem é chorar. De tristeza e de vergonha… As Produções Fictícias já tiveram melhores dias e não antevejo que venham a limpar a imagem de merda que exibem todos os Domingos no Herman SIC. Um gajo ri-se mais a ver o Telejornal ou um filme dramático do que com estes atrasados mentais que ganham dinheiro para fazer figuras tão tristes que mais valia que se escondessem num buraco bem fundo e não voltassem a aparecer nem que os chamassem muito!

Mas nem tudo está perdido. Há por aí uns rapazes que dão pelo nome de Fedorentos , que apareceram pela primeira vez na blogosfera, com muita graça. Foram rapidamente descobertos e da blogosfera para a TV foi um salto, da TV para o DVD foi outro. Eu já sou do tempo do DVD, do ‘bora lá ver tudo de uma vez. Alguns, felizmente a maioria, dos sketches são muito engraçados e os pequenos não caem na asneirada fácil nem no ajavardamento gratuito que pulula aqui e ali, bem mais do que seria desejável. O perfeito anormal; o super indivíduo; o rancho folclórico; os deputados; os bigodes; o do publicitário pelo que representa; o que tu queres sei eu; a porrada permanente que dão nos jornalistas que se acham inatacáveis e intocáveis quando merecem mais do que nunca que os ponham no lugar deles; o atum, só pela maneira como ele diz: Atum; o falam, falam…; S. Jorge da Murunhanha; a santa; o filme indiano; o lusco-fusco e finalmente o genial: falar sem dizer rigorosamente nada, durante tanto tempo. O tanto tempo é que é um problema. É difícil saber quando parar, é um facto, e os sketches na sua maioria demoram tempo a mais, perdem a piada e o público perde a atenção e a paciência. O que é uma pena porque os rapazes têm de facto graça e acredito que seja relativamente fácil saber quando acabar com o que está genial e não vai melhorar, ou seja: mostra-se a cassete ou o DVD a alguém, de preferência com um mínimo de inteligência e de noção do ridículo. Com um conhecimento suficiente da realidade em que vive também não seria mal visto. A pessoa vê. Ri-se. Quando pára de se rir e o sketch continua e a pessoa não se ri mais é sinal que ali deveria haver um corte e acabar-se com a cena. Em alta, em grande. Para uma pessoa ficar com vontade de ver mais e não perder o andamento.

O RAP é o mais engraçado deles todos e o único verdadeiro bom interprete. A alma da coisa, digo eu. Ainda por cima é giro! Os rapazes inspiram-se nos Monthy Phython descaradamente mas isso também o Herman fazia e além disso, quando as coisas são boas valem a pena serem usadas para outros públicos, com outras realidades. É disto que os ingleses se riem, é nisto que eles são os maiores: a caricaturar o próprio povo, exageradamente. A rirem-se deles próprios.

Os Fedorentos são mesmo a única coisinha decente no que se refere ao humor nacional que se vê na TV mas há por aí mais gajos com graça e bons argumentistas, o Markl é o melhor exemplo. Depois há outros, assim de repente lembro-me do André, sobre quem ainda muito se vai ouvir falar. Assim espero, seria sinal de que o nível subiu e o humor com graça voltou.

Enquanto os senhores responsáveis pela qualidade televisiva dormem em serviço, contentemo-nos com o DQD que já não ficamos nada mal.

You Might Also Like

error: Content is protected !!