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Os dias da rádio

14/07/2005

Quem não tem cão, caça com gato, que é como quem diz que quem tem um chaço de um carro sem leitor de CD, ouve rádio.

A TSF está lá, na memória, para ouvir no caso de alguma desgraça mas o rádio do meu carro serve mesmo é para ouvir música.

Muito se fala no facto de as estações de rádio passarem sempre as mesmas músicas, de tal maneira que quase dá para adivinhar a hora da play list da nossa preferência. Bem sei da fortuna que se paga pelos direitos de difusão mas há por aí estações de rádio que abusam, nomeadamente a Comercial e a RFM, para não falar nas rádios mais limitadas a cidades pequenas que aí então temos a sensação de que não só o CD é sempre o mesmo como a cidade, vila ou aldeia parou no tempo. Há muuuuuito tempo… O caso da RFM, não me incomoda muito porque as músicas são as mesmas desde 1987. Pior seria se fossem as mesmas desde 1927… Para “músicas pra boi dormir” já me falta a paciência. E são tantas… Bom, adiante, outra coisa que se critica é a falta de música em português e a propósito disso o Nuno Galopim escreveu um artigo no último DNA, que não só subscrevo como apoio: Maria Albertina na rádio a toda a hora JÁ!

Do resto não quero saber. Gosto mesmo é de fazer figuras tristes e cantar alto e bom som as musiquinhas que fazem as minhas delícias, sejam elas em que língua forem já que não temos cá problemas em inventar letras novas ou em substituir as palavras que não nos lembramos por um belo trái lai lai.

Se houve tempos em que a Mix, a Antena 3, da 1 às 3 da manhã, Sextas e Sábados com o Vibe a bombar, a X, a Vox e outras que tais faziam parte do rol, deixando bem de lado a seca da Rádio Nostalgia/Rádio Club Português, aka Rádio Repartição de Finanças – quem é que tinha paciência para os quilos e quilos de músicas dos anos 50, para o vinil carregadinho de pó, a agulha aos saltos? Hoje em dia já não e bem assim.

Um gajo amadurece e as músicas que insiste em ouvir são muitas vezes as mesmas que ouviu na longínqua adolescência, vá-se lá perceber porquê, talvez porque no caso da minha, nos anos 80 e princípio dos 90, a música que se fez foi da melhor qualidade, salvo raras excepções. Estamos cá é para assumir, inclusivamente que a Rádio Cota faz hoje parte das estações memorizadas e passo a esclarecer porquê: as músicas dos anos 50 já lá vão, juntamente com os vinis, e o máximo que se ouve é o Unforgettable e o Main dans la main. Com um bocadinho de sorte ainda dá para apanhar os eternos Óculos de sol, que não são do meu tempo mas que canto com um gosto inexplicável, do princípio ao fim. Se até o Pedro Ribeiro faz parte da RCP porque é que não hei-de sintonizá-la de manhã à noite desde o dia em que dei por mim, em pleno ano de 2005, a cantarolar tudo e mais alguma coisa sem precisar de mudar de estação? Até INXS, que nunca suportei… A nostalgia tem destas merdas e eu devo estar a ficar velha.

Quando lhes dá para voltar aos anos 50, caso raro, passo da RCP para a Comercial, mesmo ali ao ladinho, porque volta e meia anda 20 anos para trás, VINTE, e desata a passar Cure, Smiths, David Bowie, Prince, Clash, Eurythmics…, até os Queen marcham se for preciso!

Honras e devidas vénias à`Oxigénio! E a Radar, com o programinha das 10 da noite de música anos 80? Um luxo, digo-vos eu.

Quem, quem depois disto se atreve a dizer mal da Rádio em Portugal? Eu não! E digo mais, a alternativa Radar é MESMO o que está a dar.

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  • CA 14/07/2005 at 08:47

    :-)

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