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AS PESSOAS

11/05/2005

O meu amigo Tomás diz frequentemente que o pior do mundo são as pessoas.

Houve uma altura em que não concordava. Achava que se encontravam sempre pessoas decentes, que valiam a pena, ao longo do caminho. Cheia de genica e persistência qb, achava que valia a pena investir. Encontrada uma pessoa decente, compensaria dez más experiências.

Alguns desencantos, desilusões e dolorosos desapontamentos depois, em várias fazes da minha curta existência, fui praticamente obrigada a concordar com ele. As pessoas são de facto o pior. São capazes das maiores desumanidades, das maiores injustiças, normalmente com quem mais gostam. Pouco lógico, com pouco sentido de humanidade mas muito humano.

Ainda mal refeita da consciencialização de que somos todos humanos: todos, sem excepção, temos os mesmos direitos, os outros têm os mesmos que nós e nós os mesmos que eles [às vezes nem sempre é óbvio], processo lento e moroso – já que a tendência para esperar mais dos outros do que eles nos podem dar não acaba do dia para a noite – no fim do qual o estado de espírito não poderia ser mais animador: zero de esperança no que se refere a grandes alegrias ou surpresas; perda quase total de inocência em troca de mais um nível atingido na escala da maturidade, eis que a minha teoria, que não fui eu que inventei mas poderia ter sido, vinga mais uma vez.

Os reencontros têm de novo lugar na minha vida. Reencontro ex-colegas de liceu, que via de 5 em 5 anos, no Bairro Alto, já em condições pouco propícias ao diálogo, um sucesso! Independentemente do spyware da desilusão e do adware da desconfiança não estarem ainda eliminados, apenas neutralizados, um problema que se resolve com o tempo, já que me é impossível formatar o disco mental.

Reato animada e sempre saudável convivência com conhecimentos recentes, de trabalho mas daqueles em que já não distinguimos bem a fronteira entre o colega e o cúmplice, um estágio importante no longo caminho do conhecimento.

Amigos recentes, de há relativamente pouco tempo, e que parecem conhecer-me melhor do que alguns dos de longa data [não desfazendo], com quem o estágio de cumplicidade já acabou e se passou ao primeiro contrato a termo certo, de um ano, de descontracção e à-vontade, fase igualmente importante e decisiva.

Relações que valem a pena com pessoas que valem muito a pena. Bons exemplos de vida, ainda que humanos. Tenho tudo para aprender com eles. TUDO!

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  • Pedra Pomes 11/05/2005 at 11:59

    Isso é muito bom. No meu caso não há cumplicidades entre colegas, amizades muito menos e acho que quanto menos são (os colegas) pior se torna, aumenta a maldade e a pequenez. De facto, às vezes as pessoas conseguem mesmo ser o pior de tudo, mas há outras pessoas que nos fazem recuperar a fé. Um beijinho Isa

  • CA 12/05/2005 at 09:02

    Algumas pessoas podem ser ou tornar-se no pior.
    Mas há outras que são definitivamente o melhor da vida.
    :-)
    Beijo grande, com muita amizade.

  • André Toscano 12/05/2005 at 18:00

    E há também algumas pessoas que se intrometem em conversas supostamente sérias e não dizem rigorosamente nada.

  • ISA 15/05/2005 at 13:02

    Mesmo essas pessoas que nos parecem o melhor da vida podem tornar-se no pior dos piores. Precisamente porque delas esperamos apenas o melhor. O que nem sempre acontece. E digo-te, é mau. Para não dizer péssimo… Mas o problema está em quem espera demais e não em quem desilude.

  • ISA 15/05/2005 at 13:05

    Daí a ressalva, “ainda que humanos”.

    Ó André, nomeadamente… [É que me parece que deixaste o raciocínio meio pendente…

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