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PERCHE MI PIACE!

07/04/2005

Volta e meia, porque é Inverno, porque me corre mal a vida, porque está a chover, porque as hormonas existem ou porque lhes dou demasiada importância, porque está nevoeiro ou porque sim, desponta-se-me o lado ermitão e sinto uma necessidade premente e acima de tudo urgente de me recolher.

Nestas alturas – que me acompanharão para o resto da vida, quando a natureza resolve impor-se não há mesmo nada a fazer – porque tenho amor à vida e aos que nela me acompanham acho por bem que é melhor ficar sozinha que é pra não ficar pior. É muito bonito, aquelas coisas que se dizem que uma pessoa sozinha não chega a lado nenhum e mais não sei quê mas quem nos conhece melhor do que nós mesmos? E precisamente por isso, quem melhor do que nós para saber como nos aturar e o que fazer para aliviar a má disposiçãozinha? Por isso mesmo, e parafraseando mais uma vez a Ana Carolina, hoje eu tô sozinha e não aceito conselho.

Pelo que me é dado a ver, há muito boa gente que não só não gosta como tem pânico de estar sozinha. Pois eu já não sei viver sem os meus períodos regulares de isolamento. Para já porque preciso deles como de pão para a boca e depois porque me apetece. Sempre que estou para aí virada, gosto de ir ao cinema sozinha, de ler sozinha, de passear sozinha. E quanto preciso de acalmar o espírito, e do consequente retiro mental, gosto mesmo é que não me chateiem. Acima de tudo que não me façam muitas perguntas. Não há pior forma de pressão do que as perguntas, feitas à velocidade de tiros de metralhadora, a caírem-me no cérebro qual Napalm.

Não tem rigorosamente nada a ver com auto-comiseração, estar sozinha é para mim um estado de alma. Porque consciente, não corro o risco que se transforma em solidão.

Gosto de estar sozinha por opção, perche mi piace.

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