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MARS

30/03/2005

E se pudéssemos de facto escolher o dia da nossa morte, qual índio no anúncio da Mars? Um gajo fartava-se e pronto. Ia para onde lhe apetecesse, um lugar digno, e esperava. E ela, a morte, vinha, sem tardar muito. Afinal fomos nós que escolhemos. Não queremos ficar uma vida inteira à espera, o que seria demasiado deprimente. E também não seria um Mars a fazer-nos mudar de ideias… Ainda se fosse um Cadbury’s…

Acho que se soubéssemos o que se passa do outro lado, e se realmente nos fosse dada a possibilidade de escolher o dia da nossa morte, haveria de haver muito boa gente a querer ir desta para melhor bem cedinho. Isto porque acredito piamente que não pode ser só isto. Que um gajo não vem cá só uma vez e pronto. Simplesmente não faz sentido.

Bom, adiante…

Outra vantagem seria se soubéssemos que poderíamos voltar. Mas voltar para esta vida, com as mesmas pessoas, não que ela seja grande coisa mas ir só dar uma espreitadela e poder voltar nem que fosse para resolver os pendentes. Para, no dia certo, ir de uma vez mas ir descansadinho. Sem deixar nada para outros resolverem.

É que o problema, que pode até parecer arrependimento tardio e depois, qual Inês*, já estamos mortos e não há nada a fazer, é que um gajo pode-se enganar… Tipo: achar que hoje era um bom dia para morrer e depois não ser…

É que depois era uma chatice porque fosse para onde fosse haveria de azucrinar a vida aos outros à conta de uma precipitaçãozinha estúpida que poderia ter sido evitada.

*“Agora é tarde, Inês é morta”. Não sei de onde vem esta frase mas ouço-a frequentemente. Perdoai a ignorância.

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