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MISCIGENAÇÃO

27/03/2005

A minha cunhada brasileira, não sei por que digo brasileira se é a única que tenho, pelo menos oficialmente, mas agora está dito, diz que nós, os portugueses, somos todos iguais. Somos agora? E o pior é que o meu irmão “brasileiro” também diz que sim: “quando aqui cheguei e me demorei por cá [Brasil] é que me apercebi. Desta última vez que estive em Portugal vi algumas 10 raparigas que poderiam ser tu”! E diz-me isto assim, na cara, a sangue frio! O que naturalmente me fez uma certa confusão porque os portugueses são reconhecidamente feios, toda a gente sabe, aquela coisa dos gajos barrigudos e de bigode, da baixa estatura, as moçoilas pequeninas, o ditado da sardinha só poderia ser português, de buço, enfim, aquela conversa para além de me assustar aterrorizou-me. Não se pode ser assim tão banal, pensei eu.

Mas se nos debruçarmos melhor sobre o assunto, e tendo em conta que foi uma brasileira que fez tal afirmação, é capaz de ser assim mesmo, por muito que me custe admitir. Principalmente se pensarmos no Brasil, quer dizer, mais miscigenado do que o maior país da América do Sul é impossível. De loiros, alvos de olhos azuis a negros retintos, passando por índios há de tudo. E que belas misturas, digo-vos eu…

A esperança é a última a morrer e acho que sou capaz de ter uma novidade para ti, cara cunhada. Portugal passará a ser um pouco mais miscigenado. Se por aqui os negros não se misturam muito, preferindo ficar dentro dos clãs angolanos, cabo verdianos, moçambicanos ou são tomenses, as mais recentes vagas de visitantes que vêm para ficar têm uma maior tendência para se misturar. Assim, será possível, daqui a uns anitos e com a ajuda do SEF, que a comunidade portuguesa seja mais misturada, nomeadamente de brasileiros, já por si bem miscigenadinhos, com ucranianos, por exemplo. Pode ser até que estes novos casais sirvam de inspiração a outros e que as misturas abranjam mais raças, mais cores, porque não? Haja um intercâmbio saudável de timorenses e portugueses e com a mobilidade que existe na Europa, entretanto já estendida à oriental, a ajudar teremos seguramente um Reino de Portugal e dos Algarves um pouco menos monótono daqui por uma ou duas gerações.

Façamos por isso!

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